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Globalização na cultura e identidade: como o progresso pode acabar com tradições milenares

Por todo o planeta há artes, tradições e até comunidades que correm o risco de desaparecer, como se pode constatar na Ásia e na Europa.

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A olaria de Dimitris Kouvdis é uma ilha dentro desta ilha grega do Mar Egeu. Numa Grécia não muito antiga, mas já distante, centenas de famílias trabalhavam o barro com técnicas e matérias ancestrais.

A chegada das máquinas multiplicou peças e lucros mas fez desaparecer os artesãos.

A família de Dimitris conseguiu parar o tempo com as mãos. A singularidade dos materiais e das técnicas utilizadas valeram a esta oficina de oleiro a classificação de Património Imaterial da Humanidade pela UNESCO.

Da enorme área urbana de Singapura onde vive a maioria dos mais de cinco milhões e meio de habitantes da cidade-estado e a relativamente remota ilha de Urbin junto à fonteira com a vizinha Malásia distam poucos quilómetros, acrescidos de uma curta viagem de ferry de apenas 10 minutos mas a forma como decorre a vida, está a galáxias de distância.

Urbi, um santuário de biodiversidade

Se não contarmos com os visitantes diários que abandonam a ilha ao fim do dia, Urbin é agora casa para poucas dezenas de pessoas mas nem sempre foi assim, pelos até aos anos 70, altura em que fechou a pedreira da ilha.

Com apenas 10 quilómetros quadrados de área, a ilha foi poupada, por agora, ao sobre desenvolvimento do resto do território.

O governo cancelou os trabalhos de extensão da linha de metropolitano, bem como os planos de urbanização. Urbin tornou-se numa espécie de santuário de biodiversidade numa zona do planeta densamente povoada.

O que para muitos é um paraíso, para outros, a vida pacata da ilha e a travagem no desenvolvimento é vivida com resignação, sobretudo para os poucos habitantes que restaram.

Voltam mas apenas por umas horas ou uns poucos dias são os visitantes das zonas densamente povoadas que olham para a ilha como uma relíquia do passado, com os olhos de quem vem da cidade.

Os únicos negócios estão ligados ao turismo como a oficina de bicicletas que um antigo habitante de Urbin se recusa a abandonar, apesar de já não pernoitar na ilha. O barco que liga ao exterior apenas serve aos turistas.

Mas o destino de Pulau Urbin não está completamente selado. O governo decretou que a ilha apenas se manterá como reserva ambiental até que a população da cidade-estado ultrapasse os sete milhões de habitantes. Atualmente são cerca de cinco milhões e meio.