Peito para fora, barriga para dentro, cabeça para cima, ombros para baixo, queixo recolhido, mãos nos quadris. Nas imagens deste grupo que faz ginástica na capital do Zimbabué, não aparece o ator português Ribeirinho a dizer ao ator Vasco Santana como se faz exercício físico. Nem o local onde estão é um pátio das cantigas. É antes um cemitério, onde quem aqui se mexe quer acrescentar anos à vida.
Uma hora de exercício físico todos os dias não sabe o bem que lhe fazia. Estes homens e mulheres do Zimbabué sabem e dizem que não faltam, mesmo que faltem ginásios em Harare, a capital.
A esperança média de vida no Zimbabué ronda os 60 anos, de acordo com números da Organização Mundial de Saúde de 2020. A sida continua a ser a maior causa de morte no país e a doença cardíaca a segunda.
A OMS diz que, por volta de 2030, na África Subsariana, o número de mortes por doenças crónicas, como, por exemplo, diabetes e cancro, vai superar o número de vítimas de doenças como sida, tuberculose e cólera.
Já este ano, o governo do Zimbabué colocou um imposto de 0,5% sobre produtos como pizzas, cachorros-quentes e batatas fritas. Pontas dos pés para fora, palmas das mãos para fora, peito para fora, joelhos para fora e toda a vontade para fora do sofá.
No Zimbabué, ao ar livre, não haverá um Vasco Santana a dizer "olha, foi tudo fora", nem ninguém chamará ao exercício físico "ginástica cueca", mas os que aqui se mexem assim o que querem é deitar fora a doença.

