Mais de 39 mil crianças vítimas de outros menores no Reino Unido
A realidade dos abusos sexuais e da violência contra crianças e jovens está a mudar. Em Inglaterra e no País de Gales, mais de metade dos agressores registados em 2024 tinham entre 10 e 17 anos. Em muitos casos, as vítimas foram abusadas por grupos de adolescentes. Os relatos são chocantes.
Todos os anos milhares de sobreviventes procuram ajuda na única linha de apoio nacional dedicada a vítimas de abuso infantil no Reino Unido, a NAPAC. Apesar de muitos anos de experiência, os profissionais não estavam preparados para a nova realidade dos abusos.
"Já tivemos várias pessoas que nos telefonaram a dizer que o cheiro da terra lhes provocava uma reação estranha e que se lembravam de terem sido enterradas até à morte e depois terem sido reanimadas e, sim, é horrível, mesmo horrível. Até a nossa equipa precisa de apoio para responder a estas chamadas."
Todos os dias chegam aos telefones da NAPAC, relatos de experiências chocantes vividas por crianças e jovens, vítimas de abusos físicos, emocionais ou sexuais. Desde 1998, a NAPAC tem sido um apoio essencial para quem vive traumas profundos na infância. Em média, recebe cerca de 10 mil chamadas por ano.
"Uma das conclusões mais chocantes em 2024 é o enorme aumento do abuso de crianças contra crianças. Isto significa que, num contexto de grupo, duas ou mais pessoas, 24% são crianças que cometem crimes graves de cariz sexual contra outras crianças. Isto está a acontecer agoram e eu diria que é uma crise."
41% dos abusos cometidos por menores estão relacionados com imagens pornográficas, muitas vezes captadas pelos próprios adolescentes em comportamentos considerados experimentais. Richard Fewkes, diretor do grupo de trabalho contra exploração sexual infantil, alerta para os perigos da normalização da pornografia violenta entre os jovens.
"As crianças têm acesso à pronografia. Essa pronografia está a tornar-se mais violenta e misógina. E, devido a essa facilidade de acesso, há uma geração, sobretudo de rapazes, que vê isso como um comportamento normal. E reproduz esse comportamento com as raparigas. 17% dos crimes cometidos por menores contra outros menores são de violação."
O governo britânico já reconheceu a gravidade da situação. O abuso entre menores é agora mais comum do que a exploração sexual por redes organizadas. Como responder a esta uma crise?
"Não podemos criminalizar uma geração inteira de de crianças. É preciso uma abordagem de prevenção e educação. Mas temos de dar uma resposta adequado aos diferentes delitos. Se não o fizeremos e se ignorarmos o que está a acontecer, isso será um ponto crítico e como sociedade diremos que falhámos. Não podemos dar-nos ao luxo de falhar."
Um porta-voz do governo britânico diz que estão a ser tomadas uma série de medidas para ajudar a prevenir o abuso sexual infantil, levar mais agressores à justiça e melhorar o apoio às vítimas e sobreviventes. Estima-se que, no Reino Unido, cerca de 11 milhões de pessoas sofreram abusos na infância. Mas as ameaças aos jovens estão a evoluir e a lei é muitas vezes demasiado lenta a adaptar-se.
Voo ilegal: polícia dos Países Baixos salva aves em vias de extinção
Uma investigação ao comércio ilegal de espécies protegidas terminou com o nascimento de 42 papagaios-do-mar. Os ovos, contrabandeados por três cidadãos alemães vindos da Islândia, foram intercetados no Aeroporto de Schiphol, em Amesterdão, graças à ação rápida das autoridades alfandegárias. A operação revelou não só a fragilidade das fronteiras face ao tráfico de animais, como também a importância da cooperação entre instituições para salvar vidas em risco.
O alerta chegou em junho ao Zoo de Roterdão: 79 ovos de aves protegidas tinham sido apreendidos no Aeroporto de Schiphol. A origem? Um voo proveniente da Islândia. O destino? Incerto, mas longe de ser legal. A descoberta foi feita por Mitchel, agente da alfândega, que recebeu um relatório sobre passageiros suspeitos.
"Retirámos três pessoas do voo e, ao revistar as malas, encontrámos caixas de ovos. Com uma lanterna, vimos que os embriões já estavam bastante desenvolvidos."
Dos 79 ovos, 52 sobreviveram. Entre eles, papagaios-do-mar, patos-de-cauda-longa e patos-de-poupa, todas espécies em risco. Os animais foram entregues ao Zoo de Roterdão, onde 42 papagaios-do-mar nasceram com sucesso. Zaan Olivier, da International Fund for Animal Welfare, alerta para a dimensão do problema.
"Isto é apenas a ponta do icebergue. Há animais escondidos em palhinhas, garrafas ou embalagens, muitos morrem no processo."
Apesar da gravidade da infração, os contrabandistas receberam apenas uma multa de 7.500 euros e uma pena suspensa de três meses. Os responsáveis pelo Zoo de Roterdão dizem que penas como esta não bastam para dissuadir os criminosos.
Os papagaios-do-mar sobreviveram mas não poderão regressar à natureza. Habituados ao contacto humano, serão acolhidos por vários jardins zoológicos, incluindo o Diergaarde Blijdorp, em Roterdão, onde poderão ser admirados pelos visitantes.
O cavalo mais caro da Bélgica podia ser uma zebra
Chama-se C-bra, é branco e tem manchas pretas. Foi vendido num dos leilões mais concorridos do mundo por um valor recorde, que surpreendeu até o criador. Sobre o comprador sabe-se pouco, apenas é oriundo dos Emirados Árabes Unidos.
Com uma aparência invulgar e genética de excelência, C-bra destacou-se desde o primeiro momento. O criador Steven Dhondt diz que a mãe já era de uma linhagem de salto especial e também tinha sido vendida por um valor muito elevado.
"Foi talvez a única vez na vida que tive a sorte de criar um potro com esta cor. Só queria que encontrasse um bom lar."
Foi a estética que atraiu os muitos compradores ao leilão de Oudsbergen, na Bélgica. Nas redes sociais C-bra já era uma estrela. Um vídeo publicado no Instagram acumulou mais de 16 mil gostos em poucos dias. Razões suficientes para Luk Van Puymbroeck, organizador do leilão, prever uma venda de valor elevado.
"Acredito que vamos chegar aos 50 mil euros ou um pouco mais. Espero mais. C-bra destaca-se de todos os outros cavalos em leilão. Ao longe até parece uma zebra, branco com manchas negras. Parece uma zebra, mas, de facto, é um cavalo."
A realidade superou largamente as expectativas. C-bra foi vendido por 402 mil euros, ultrapassando o anterior recorde de 360 mil euros que tinha sido estabelecido há três anos.
Sabe o que é o Canicross? O campeonato mundial vai disputar-se na Chéquia
O canicross está a ganhar cada vez mais adeptos e reconhecimento internacional. A Chéquia vai receber em novembro o Campeonato Mundial da modalidade.
A prática permite atingir velocidades até 20 quilómetros por hora graças à força de tração dos cães. Mas esta modalidade não se limita à corrida, também pode ser praticada com bicicleta ou em trotinete. Egon Meuleman, antigo campeão mundial, explica como os cães puxam pelos os atletas.
"Os cães são naturalmente mais fortes e rápidos do que nós. Assim, somos puxados e conseguimos acompanhar o ritmo deles."
Os donos destacam a adrenalina da modalidade, mas não esquecem o bem-estar animal. Nienke Endenburg, docente universitária de medicina veterinária, acredita que o Canicross também pode ser benéfico para os cães, desde que se respeitem alguns limites.
"Depende do tipo de cão e da sua condição física. Mas se estiver bem treinado e gostar, acho perfeitamente aceitável. Os cães criados para este desporto podem divertir-se a correr com os donos."
Ainda assim, há limitações legais. E a corrida só é permitida se os animais estiverem bem cuidados.
"Os cães não podem legalmente puxar objetos como bicicletas ou carros, exceto em raças específicas. O canicross é inclusivo, mas não universal. Não se pode fazer isto com um Chihuahua, claro."
Com o campeonato à porta, o antigo campeão Egon Meuleman e o seu cão esperam voltar a pisar o pódio.
3, 2, 1… Aaaaaah! O grito da libertação na Alemanha
Rheinauhafen, em Colónia, na Alemanha, é palco de uma iniciativa invulgar e muito barulhenta. Dezenas de pessoas reúnem-se junto ao rio Reno para gritar em uníssono, numa tentativa de libertar tensões e emoções acumuladas.
O momento alto chega com a contagem decrescente: "3, 2, 1… aaaaaaaaaaaaaaah". O grito coletivo ecoa pelo rio, e com ele, uma sensação de alívio.
"No início, não achei que me fosse afetar tanto, mas foi uma experiência muito boa. O coração ainda bate forte, mas agora sinto-me mesmo relaxado".
O evento, que já vai na quinta edição, nasceu depois de uma visita de Maike Schmidt a Chicago.
"Achei logo que era uma ideia gira para aliviar o stress. Quis experimentar e levei alguns amigos até à margem do rio Reno para gritarmos juntos."
Antes do momento de libertação, os participantes escrevem num papel aquilo que querem deixar para trás. Alguns mantêm os seus motivos em privado, mas muitos partilham abertamente os desafios pessoais.
"Estou aqui por causa do ciberbullying e do passado."
Para a terapeuta Davina Blank, mais do que a diversão, esta iniciativa vale pelo um impacto emocional positivo na vida dos que se juntam nas margens do Reno.
"É uma sensação muito importante de ligação, estar num grupo com a intenção de expressar a sua verdade interior, seja stress ou tensão. Cada um por si, mas dentro do grupo".
A ideia de gritar como forma de libertação emocional está a juntar pessoas de toda a Alemanha e, em breve, pode ser replicada noutros locais, porque, como dizem os organizadores: "por vezes, basta um grito para se sentir melhor".
Repórteres do Mundo mostra as diferentes perspetivas e a diversidade cultural em reportagens das mais de 40 televisões parceiras da SIC. Sábado, às 15h30, na SIC Notícias.
