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Covid-19. “Não tenho a certeza que no verão estejamos todos bem”

João Gonçalves defende que o plano do Governo é otimista e sublinha que poderá haver problemas de abastecimento das vacinas.

João Gonçalves, professor da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa e diretor do Instituto de Investigação do Medicamento, explicou, em entrevista ao Polígrafo/SIC, que concorda com o plano de vacinação apresentado pelo Governo, mas sublinha que poderá haver atrasos no abastecimento das vacinas.

“Os planos do governo são relativamente otimistas”, diz o especialista. “Porque certamente vai haver problemas de abastecimento de vacinas. Eu não quero já dizer que as vacinas não vão cá chegar todas, elas vão chegar. Mas não esqueçamos que toda a gente vai querer comprar, no mundo inteiro, inicialmente a vacina da Pfizer, da Moderna e da AstraZeneca”, esclarece.

Para atingir a imunidade de grupo, tendo em conta uma eficácia a cima dos 90%, como foi anunciada por várias farmacêuticas, seria necessário vacinar entre 60 a 70% da população, explica João Gonçalves que acredita ser difícil que tal aconteça já no próximo verão.

“Eu tenho algumas dúvidas que nós tenhamos 70% da população vacinada nessa altura. Talvez no próximo natal de 2021 estejamos todos bem, mas não sei, não tenho a certeza que no verão estejamos todos bem”, disse o diretor do Instituto de Investigação do Medicamento.

O professor concorda que os grupos prioritários definidos pelo Governo, mas sublinha que ainda não se sabe se a eficácia das vacinas será igual nas diferentes faixas etárias. Dando o exemplo da vacina da gripe, o especialista explica que a taxa de imunização baixa entre os mais idosos.

“As pessoas têm de perceber que a eficácia das vacinas nos mais velhos não é a mesma nos mais novos. Nós olhamos para as vacinas da gripe e sabemos que ela é à volta dos 30% para os mais idosos e à volta dos 60% para os mais novos. Isto leva claramente a perceber que temos aqui um problema de imunização dos mais velhos”, explica lembrando que é necessário começar por vacinar os que grupos de riscos e os que estão à volta desta faixa etária.