Grande Reportagem SIC

Quanto valem os órgãos de um albino? Reportagem da SIC “Crimes em Claro” recebe prémio AMI

Quanto valem os órgãos de um albino? Há quem pague 75 mil euros. Mais, se for uma criança. Um albino vivo pode valer mais de 300 mil euros, é o tráfico humano que mais dinheiro envolve em todo o mundo. Uma Grande Reportagem SIC premiada pela AMI na categoria televisão.

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“Crimes em Claro” é um trabalho da jornalista Susana André, com imagem de João Pedro Fontes, edição de Tiago Martins, grafismo de Isabel Cruz, produção editorial de Diana Matias e pós-produção áudio de Edgar Keats. A reportagem teve ainda a participação do colorista Rui Branquinho e coordenação de Jorge Araújo, Marta Brito Reis e Ricardo Costa.

“O “Prémio AMI – Jornalismo Contra a Indiferença” dá destaque a trabalhos jornalísticos que, pela sua excecional qualidade, representam um testemunho e uma contribuição válida para que as indiferenças dos poderes de opinião pública não permitam cobrir com um manto de silêncio situações intoleráveis, do ponto de vista humano, social, económico ou outro, em qualquer parte do mundo.”

O prémio é anual, com início em 1998 e atribuído no ano seguinte ao qual respeitam os trabalhos a concurso, e tem quatro categorias: imprensa escrita; televisão, rádio e multimédia.

Crimes em Claro

A milhares de quilómetros da capital, o número dos que não sabem ler nem escrever dispara. A Zambézia é a província com a maior taxa de analfabetismo do país: 53,9% contra 12% em Maputo, a capital. Alimentadas pelos curandeiros, as superstições e as crenças dão-se bem por aqui.

A dimensão do problema é tal que há oito anos o governo do país proibiu a feitiçaria e ameaçou prender os curandeiros. Mas as redes de tráfico mantêm-se firmes na Tanzânia e noutros 6 países: Moçambique, Malawi, Burundi, Quênia, Suazilândia e África do Sul. Envolvem curandeiros, sequestradores, traficantes e homicidas.

“Pegaram no meu filho e levaram-no”

Aylan tinha 9 anos quando foi raptado e assassinado por vizinhos na comunidade isolada onde vivia - em Molumbo, na província moçambicana da Zambézia. Morto, como centenas de albinos, para lhe extraírem os órgãos que muitos acreditam trazer riqueza e poder.

Angelina conta que três homens entraram em casa por volta da meia-noite, quando todos dormiam. "Pegaram no meu filho e levaram-no". A mãe, a irmã e o cunhado viviam perto e ouviram os gritos.

Angelina não pode sequer dar um enterro digno ao filho. Para a feitiçaria, as ossadas dos albinos também valem dinheiro e as profanações de sepulturas são recorrentes.

Estas e outras histórias estão contadas na reportagem publicada no site da SIC Notícias:

Políticos e homens de negócios à procura de mais poder

Em Moçambique, como nos outros países onde se movem as redes criminosas, não é raro que sejam os próprios pais a vender os filhos albinos. O envolvimento de familiares ou pessoas próximas das vítimas é recorrente.

Os clientes são políticos e homens de negócios africanos, sobretudo sul-africanos, em busca de mais poder ou riqueza.

Muitos acreditam que para garantir prosperidade no além, têm de ser enterrados com quatro albinos vivos. Os órgãos são ainda usados pelos curandeiros como tratamento para a impotência sexual, a infertilidade, e doenças como o VHI.

(A versão integral desta reportagem também pode ser vista em Opto.sic.pt)