Mais de três anos após o início da guerra na Ucrânia, a Rússia é oficialmente o país mais sancionado do mundo, mas as prateleiras dos supermercados em Moscovo continuam a exibir produtos emblemáticos do Ocidente: cornflakes da Kellogg's, cervejas da Brewdog, refrigerantes da Coca-Cola e até doces franceses da Bonne Maman.
Como continuam estes produtos a chegar à Rússia? Com importações paralelas. Os produtos entram na Rússia através de países terceiros, sem a autorização direta dos detentores das marcas. A prática foi legalizada por Moscovo pouco depois do início da invasão, como forma de mitigar o impacto da saída em massa de marcas internacionais.
Por exemplo, é possível encontrar latas de Coca-Cola provenientes da França, Polónia, Iraque e até do Reino Unido, apesar de a empresa ter suspendido todas as operações no país em 2022. A Coca-Cola, tal como outras marcas, diz não poder impedir estas importações.
O mesmo mecanismo das importações paralelas está a ser utilizado para bens de luxo sujeitos, como carros topo de gama. Em Moscovo, é possível encontrar modelos como o Porsche Cayenne Coupé, Mercedes EQE e BMW X5. Todos com menos de dois anos, ou seja, mais recentes do que o regime de sanções vigente. Segundo Irina Frank, proprietária de um concessionário, os veículos chegam por rotas intrincadas.
"Encomendamos via Turquia, os automóveis seguem para a Arménia e só depois entram na Rússia".
Estes veículos são vendidos sob encomenda, com custos acrescidos devido à complexidade do processo e aos riscos. Ainda assim, o negócio prospera.
Em fevereiro, a Frank Auto vendeu um Ferrari Purosangue por 130 milhões de rublos, cerca de 1,43 milhões de euros, um valor 30% acima do habitual, segundo a própria empresária.
O responsável por outro concessionários de Moscovo diz que importou dezenas de viaturas europeias nos primeiros dois anos de guerra, incluindo o seu próprio Volkswagen, que fez uma odisseia através da Bélgica, Geórgia, Arménia e Irão antes de chegar a Moscovo.
"Isolar a Rússia? Não acredito que seja possível."
À medida que os consumidores russos continuam a adquirir marcas ocidentais e carros de luxo, torna-se evidente que, num mundo globalizado, bloquear completamente um país com sanções é um desafio monumental.
Miss Juventude matou um polícia e esteve 20 anos em fuga
Duas décadas depois de um crime brutal que chocou a Colômbia, a justiça finalmente encontrou Lina María López Quintero. A mulher, agora com 38 anos, foi detida em Cartagena depois de 20 anos em fuga.
Lina López Quintero tinha sido condenada por assassinar, com 40 facadas, um polícia fora de serviço num motel de Manizales, em agosto de 2005.
Na altura, com apenas 18 anos, Lina María foi detida e colocada em prisão domiciliária, da qual viria a escapar pouco tempo depois. Desde então, viveu com uma identidade falsa, alterou a aparência física e conseguiu um novo número de identificação nacional através de meios ilegais. Estabeleceu-se em Cartagena, onde se tornou uma empresária.
Vinte anos depois do crime, a colombiana pediu um novo documento de identidade e as impressões digitais recolhidas dispararam os alarmes das autoridades. O coronel Dave Figueroa, comandante da Polícia Metropolitana de Manizales e Villamaría, foi o responsável pela prisão.
"Este caso foi muito mediático há 20 anos e tê-la agora atrás das grades representa um triunfo para a instituição e um alívio para a família do nosso agente."
Lina María López Quintero vai agora cumprir 34 anos de prisão pelos crimes de homicídio agravado, falsificação de identidade e violência doméstica.
Mistério no Mar do Norte: haverá tubarões a dar à costa?
Uma barbatana gigante foi avistada ao largo da costa de Heemskerk. Quem estava na praia assustou-se. O alerta fez acionar de imediato os serviços de emergência, a guarda costeira e a organização SOS Dolphin.
A possibilidade de se tratar de uma baleia, tubarão ou até mesmo uma orca levou à mobilização de cerca de 25 voluntários. Nesta praia não há historial de avistamentos destes animais, mas as alterações climáticas estão a trazer mudanças em todo o mundo.
"Nunca se sabe o que pode surgir no Mar do Norte, recebemos o alerta de um animal em apuros e partimos de imediato."
Edward Zwitser é membro da Real Sociedade Holandesa de Salvamento Marítimo e quando foi chamado a Heemskerk não imaginava o desfecho desta história. O que parecia ser um resgate animal, acabou por ser uma instalação artística.
"Queria criar conteúdo para o lançamento do livro, não assustar os serviços de emergência."
Marten Fisher, autor de livros infantis, pensou na promoção, mas não pensou nas consequências. Depois do episódio insólito, dirigiu-se à estação de salvamento de animais com uma grade de cerveja como pedido de desculpas.
Porque estão as cegonhas a lançar as crias para fora dos ninhos?
A temperatura em abril e maio ultrapassou os valores habituais e a chuva quase não caiu em Erften, na Alemanha. Enquanto muitos desfrutam do calor, animais como as cegonhas enfrentam uma luta pela sobrevivência. A situação tornou-se tão crítica que algumas cegonhas adultas, incapazes de encontrar alimento no solo ressequido, estão a lançar as crias para fora dos ninhos.
É aqui que entra Stephan Struve, um antigo padeiro que há oito anos se dedica voluntariamente ao cuidado de cegonhas na sua região. Transformou o jardim num centro de resgate, onde presta os primeiros socorros às crias indefesas, muitas vezes com a ajuda de um simples borrifador de água.
"As cegonhas significam tudo para mim. Elas pertencem à nossa paisagem. Amo estes animais desde criança."
A seca prolongada desde março até quase ao final de maio deixou o solo tão seco que os vermes, principal fonte de alimento das cegonhas, deixaram de aparecer. Sem comida, os progenitores são forçados a abandonar algumas crias.
Desde o início da época de reprodução, há dois meses, cerca de 55 crias já morreram na região, algumas devoradas por outras aves famintas, outras atiradas dos ninhos.
Papagaio em fuga: chama-se Bruce, gosta de AC/DC e cacareja como uma galinha
Na pacata vila de Pilsting, na Baviera, um novo protagonista tem dado que falar e não, não é humano. Chama-se Bruce, é um papagaio-cinzento-africano com queda para o rock e uma impressionante habilidade para escapar.
Tudo começou no domingo de Pentecostes, quando Bruce decidiu que já tinha passado tempo suficiente na gaiola. Deixou apenas uma pena como pista e voou rumo à liberdade.
Desde então, a vila inteira está em alerta, com os olhos postos no céu e nos ramos das árvores. O dono esforça-se por descrever Bruce da melhor maneira e destaca características únicas num papagaio.
"Ele cacareja como uma galinha. Fui eu que lhe ensinei."
Numa das tentativas de o apanhar, o dono correu com quatro mantas, mas Bruce foi mais rápido: saltou, abriu as asas e desapareceu sobre os telhados da vila. A busca tem sido intensa, já se tentou de tudo, até usar a música da banda favorita de Bruce, os AC/DC.
O papagaio cinzento tem muitos talentos: imita sons de telemóveis, dança e até conversa consigo próprio ao telefone.
Repórteres do Mundo mostra as diferentes perspetivas e a diversidade cultural em reportagens das mais de 40 televisões parceiras da SIC. Sábado, às 15h30, na SIC Notícias.
