Katya Pechura, fugiu da guerra na Ucrânia com os dois filhos, chegou a Amersfoort depois de uma viagem de autocarro de 35 horas. Mas não conseguiu entrar no abrigo local.
"Lembro-me de estar na rua, ao lado da câmara municipal. Estava a chover, eu estava com medo. Não sabia o que fazer. Foi horrível."
Passou a primeira noite num hostel e foi aconselhada a contactar a Cruz Vermelha. A resposta é um alerta para as dificuldades de muitos.
"As pessoas chegam com malas, com crianças ao colo, aos nossos escritórios e abrigos, pedem ajuda e dizem que não têm onde ficar. Mas a Cruz Vermelha não consegue resolver isto, cabe ao governo."
Daniëlle Brouwer, representante da Cruz Vermelha nos Países Baixos, diz que a falta de resposta coordenada por parte do governo está a agravar a crise.
"Os municípios apontam, com razão, para o governo nacional. Mas este não assume a liderança há muito tempo. Nem sequer sabe onde estão alojadas estas pessoas."
A situação é tão precária que, mesmo quando conseguem abrigo, os refugiados vivem em condições longe do ideal. Katya e os filhos estão alojados num parque industrial, onde deveriam permanecer apenas alguns dias, mas já lá vivem há duas semanas e meia.
"Estou muito feliz por ter o meu cantinho, o meu apartamento, o meu quarto."
A crise na receção de refugiados ucranianos nos Países Baixos revela falhas estruturais graves e levanta questões sobre a responsabilidade do Estado na proteção de quem foge da guerra.
