No coração da Amazónia, a paisagem verdejante esconde uma batalha feroz. As comunidades indígenas, que há séculos vivem em harmonia com a floresta, estão na linha da frente contra invasores que exploram ilegalmente os recursos naturais. Mineração, pesca, tráfico de drogas e desflorestação são apenas algumas das ameaças que colocam em risco não só o ecossistema, mas também a sobrevivência cultural destes povos.
"Temos de proteger o território porque está a ser tomado. Aqui acontece de tudo e estamos no meio disso. Temos de ser corajosos."
Os Guardiões, como são conhecidos, percorrem diariamente o território para identificar intrusos. A missão é arriscada: por trás de pescadores ilegais, muitas vezes escondem-se redes criminosas armadas.
"Uma patrulha como esta pode ser bastante emocionante, porque nunca sabemos quem vamos encontrar. Procuramos pescadores ilegais, mas muitas vezes há organizações criminosas por trás deles."
A situação é crítica. Todos os anos, dezenas de guardas indígenas são assassinados na Amazónia. A comunidade Munduruku-Takuara, que vive na região há séculos, vê o seu território cada vez mais pressionado. Do céu, é evidente: as árvores nas fronteiras já foram derrubadas e, nos rios, pescadores ilegais tentam avançar.
"Antes também tínhamos intrusos, mas não tantos como agora. Aqui vivemos da natureza. Sem natureza, nós, como comunidade indígena, não temos vida."
Perante a ameaça constante, até crianças participam na defesa da floresta. A aposta em tecnologia é uma arma importante, os drones ajudam a monitorizar lagos e áreas de floresta, detetando atividades ilegais.
