Há uma menina de 14 anos com um homem no hotel e precisamos que a polícia venha. "A chamada para a linha de emergência é curta, urgente e arrepiante. Minutos depois, agentes da Polícia da Grande Manchester batem à porta do quarto. O homem é detido por posse de droga e tentativa de abuso sexual. A adolescente é salva. Este momento, captado por câmaras policiais, é apenas um exemplo do que está a mudar em Manchester. Depois de anos de críticas por falhas históricas na resposta a casos de exploração sexual infantil em cidades como Rochdale e Oldham, a estratégia mudou e já tem resultados positivos.
No coração de Manchester, o Centro de Proteção de Menores, as equipas multidisciplinares fazem aquilo que tantas vezes foi apontado como falha: colaboração real. E isso começa por estar onde os jovens vulneráveis estão.
"Com o trabalho social tradicional, vemos as crianças em casa ou na escola. Mas encontrá-las nestes ambientes é essencial para perceber os perigos que enfrentam."
Piccadilly Gardens é uma das zonas de risco. Com a noite chega o tráfico de droga e a criminalidade. Quando o comércio fecha, a praça fica quase vazia, e só permanecem na rua pequenos grupos de adolescentes.. Alguns vivem em instituições, outros fogem de casa. Todos estão expostos. Segundo a Polícia da Grande Manchester, nos últimos meses, foram identificadas 40 pessoas como ameaça ativa de exploração infantil só nesta zona.
Anthony é assistente social e faz trabalho de rua há muito tempo. Para muitos adolescentes de Manchester, Anthony é o adulto mais próximo em quem podem confiar. E essa confiança pode salvar vidas. Durante uma ronda, uma adolescente alertou para um homem armado dentro de um restaurante.
"É tudo uma questão de confiança. Trabalhar juntos, no mesmo espaço, faz com que a informação circule muito mais rápido."
Chris Chadderton, é o inspetor-chefe responsável pela Operação Luka. Na outra frente da luta estão os hotéis. O projeto está a transformar rececionistas em sentinelas contra a exploração sexual. São eles que aprendem a identificar sinais de perigo e quando é preciso ligar para a polícia.
"Quando o homem se distraiu, perguntei à rapariga se precisava de ajuda. Ela disse que não, mas parecia assustada... o homem estava a agir como se a controlasse."
Antes de desligar a chamada, a polícia já estava no local. O suspeito foi detido. A adolescente, protegida.
Estas operações não apagam os erros do passado, mas mostram um caminho de proximidade, rapidez e confiança. Para crianças que vivem no limite, cada minuto conta. Cada adulto atento pode fazer a diferença entre uma vida salva e uma tragédia.