1.600 quilómetros separam a última zona habitada no Chile da Antártida. A viagem de avião dura mais de 5 horas e revela um continente que se mantém hostil e inóspito. No meio da paisagem de gelo, a estação científica britânica destaca-se pela cor. Rothera fica no oeste da Antártida e desempenha um papel adicional: manter a presença territorial britânica. Com vários países a reclamarem partes do continente, a ciência tornou‑se a principal forma de afirmação geopolítica.
Enquanto a presença norte‑americana perde força, outros Estados reforçam posições. A Rússia mantém o maior número de bases científicas no continente, mas é a China que tem avançado de forma mais acelerada. O país inaugurou uma nova estação em 2024 e já prepara outra, numa expansão que tem sido alvo de atenção crescente entre parceiros ocidentais.
A mudança coincide com cortes nos financiamentos norte‑americanos. A administração Trump reduziu verbas destinadas à investigação climática, num sinal que alguns analistas interpretam como desinteresse estratégico no degelo que fragiliza as convenções territoriais. Os investigadores britânicos estão preocupados.
"À medida que a Antártida aquece e o gelo derrete, torna‑se menos claro durante quanto tempo este continente continuará a ser um deserto protegido."
O que está em causa para o futuro?
Com o degelo acelerado, novas rotas áreas, antes inacessíveis, começam a surgir. Os especialistas temem que, se os tratados atuais forem postos em causa, países com maior presença científica e logística possam tentar reivindicar novos direitos ou expandir interesses. Entretanto, países como o Reino Unido reforçam meios no terreno. O navio quebra‑gelo Sir David Attenborough, um dos mais modernos do mundo, voltou ao continente, uma viagem que simboliza a renovada aposta britânica na região, num momento em que o equilíbrio geopolítico começa a deslocar‑se.
