Saúde e Bem-estar

Retirar leite da alimentação sem intolerância à lactose traz riscos

Dado Ruvic / Reuters

Segundo Pedro Graça, nutricionista e diretor da Faculdade de Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto, nunca se deve retirar o leite da alimentação de uma criança sem ter a certeza que é intolerante à lactose.

O nutricionista Pedro Graça alerta para os perigos de retirar o leite da alimentação de quem não tem intolerância à lactose sob risco de ficarem intolerantes, deixando um apelo aos pais para que tenham especial cuidado com as crianças.

O consumo de produtos sem lactose tem vindo a aumentar nos últimos anos, mas o diretor da Faculdade de Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto adverte para os riscos de eliminar a lactose, principal açúcar do leite, da alimentação.

Pedro Graça explica que a digestão da lactose necessita de uma enzima que está no intestino (lactase) que pode deixar de ser fabricada e até desaparecer se deixar de ser estimulada. Uma situação que pode acontecer quando se abandona totalmente o consumo de produtos lácteos.

Perante este risco, o nutricionista deixa um alerta dirigido aos pais: "Nunca retirar o leite da alimentação de uma criança sem ter a certeza que é intolerante à lactose", através de confirmação médica.

"Como a criança tem aparentemente sintomas, como diarreias, náuseas, flatulência, inchaço abdominal, que também podem acontecer por outros alimentos, e começa a associar-se isso ao leite - ou porque não gosta de leite -, os pais, com medo, pensam que a criança é intolerante à lactose, não fazem uma verificação adequada e, de repente, começam a retirar todos os produtos lácteos" da alimentação, descreveu.

Uma criança que deixe de beber leite durante muitos anos quando "um dia quando quiser voltar a beber pode já não ter essa enzima", advertiu o ex-diretor do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável da Direção-Geral da Saúde.

Sobre as vantagens ou não no consumo de leite, o nutricionista afirmou que "não há nenhum aconselhamento médico que, nos dias que correm, faça ou sugira que as populações devam reduzir o consumo de leite".

"A mais recente informação científica que temos é que não existe nenhuma relação entre o consumo regular do leite e o aumento da mortalidade. Inclusive temos alguma informação que o consumo regular de leite, nomeadamente meio gordo ou magro, pode reduzir o risco do aparecimento de algumas doenças", sublinhou Pedro Graça.

Por outro lado, do ponto vista nutricional, "um a dois copos de leite por dia permitem de uma forma muito adequada equilibrar o estado nutricional de um indivíduo de uma forma muito barata e fácil".

"Portanto, não há nenhum motivo, nem médico, nem económico para as pessoas substituírem o leite por outros produtos, muitos deles produzidos longe de Portugal com grandes impactos sobre o ambiente", sublinhou.

Pedro Graça ressalvou que algumas pessoas optam por não beber leite por razões ideológicas, uma decisão que merece todo o seu respeito.

Lusa