Saúde e Bem-estar

Cientistas investigam como nasce o cancro

Os cientistas querem descobrir os primeiros sinais de cancro na próstata

Francis Crick Institute

Deteção precoce permitirá tratar a doença antes de se declarar.

Cientistas britânicos e norte-americanos estão a juntar esforços para descobrir quais os primeiros sintomas de cancro de forma a ser possível tratar a doença logo ao início.

O plano é "fazer nascer" um cancro em laboratório para ver exactamente como é "no dia 1", explicam os cientistas desta recém formada Aliança Internacional para a Deteção Precoce do Cancro, que junta cientistas do britânico Cancer Research UK, das universidades britânicas de Cambridge, Manchester, University College London e as universidades norte-americanas de Stanford e Oregon para partilhares ideias, tecnologia e técnicas de trabalho.

Juntos, os cientistas querem desenvolver testes menos invasivos, como análises ao sangue, urina ou hálito, para monitorizar pessoas em alto risco de desenvolverem cancro, melhorar os exames de imagiologia para deteção precoce de cancro, bem como, detetar os praticamente indetetáveis sinais de cancro no seu início.

"O problema fundamental é que nunca conseguimos ver um cancro a nascer num ser humano", afirmou à BBC o responsável pelo departamento de deteção precoce do Cancer Research UK, David Crosby. "Quando é descoberto, já está numa fase avançada".

Os investigadores da Universidade de Manchester, por exemplo, estão a cultivar em laboratório tecido mamário humano em laboratório com células sintéticas do sistema imunitário para ver se conseguem identificar as mudanças mais subtis e precoces que podem levar ao cancro. No entanto, há sempre o perigo de um diagnóstico errado, uma vez que nem todas as alterações numa célula em fase inicial dão origem a um cancro.

É por isso que é preciso que a técnica seja mais precisa e ver caso a caso: olhar para o conjunto de genes com que uma determinada pessoa nasceu, o ambiente em que vive para então desenvolver uma técnica individualizada para determinar o risco que aquela pessoa tem de desenvolver cancro.

Até à data, a investigação na deteção precoce de cancro tem sido feita em pequena escala. É preciso que seja feita em larga escala, abrangendo uma elevada percentagem da população mundial.

Para David Crosby, esta colaboração entre várias instituições vai "provocar uma mudança radical nos nossos sistemas de saúde, porque se vai passar de um combate caro contra doenças já em fase avançada para uma intervenção o mais cedo possível que oferece um tratamento mais rápido e mais barato".

Segundo as estatísticas, 98% dos doentes com cancro da mama vivem pelo menos mais cinco anos se a doença for diagnosticada da fase 1 - a primeira. Se detetado e tratado na fase 4, apenas 26% dos doentes têm essa esperança de vida.

Para outros tipos de cancros - como pâncreas, fígado, pulmões ou próstata - não há atualmente ferramentas de triagem absolutamente confiáveis, pelo que a taxa de sobrevivência é bem mais baixa.

Cancro da próstata detetado através de ressonância magnética hiper-polarizada.

Cancro da próstata detetado através de ressonância magnética hiper-polarizada.

https://www.ucl.ac.uk/cancer/news/first-prostate-cancer-patient-scanned-hyperpolarised-MRI-Europe

Testes menos invasivos

Daí a necessidade de aperfeiçoar as técnicas de diagnóstico, como a ressonância magnética, que poderá vir a substituir as agulhas, usadas nas biópsias.

O desenvolvimento da ressonância magnética hiper-polarizada e de foto acústica - a luz laser chega ao tumor criando ondas sonoras que são analisadas para produzir imagens - , são os próximos avanços que estão a ser estudado para a imagiologia.

Depois é ainda preciso perceber quais os tipos de cancro que se deixam ver através destas imagens.

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