Saúde e Bem-estar

Quantos passos deve dar por dia para reduzir o risco de demência

Demência.
Demência.
Carol Yepes
Este artigo é para todas as pessoas, quer sejam ativas (ou mais preguiçosas), independentemente da idade.

Um estudo divulgado no início deste ano deu conta de que 153 milhões de pessoas no mundo terão demência em 2050, devido ao crescimento e envelhecimento da população. Contudo, este transtorno pode afetar qualquer pessoa e não está diretamente relacionado com a idade. Há, porém, uma forma de contornar a doença e a solução passa por calçar as sapatilhas.

Primeiramente, precisa de um pedómetro (contador de passos). Pode simplesmente instalar uma aplicação no telemóvel, caso pretenda levar o dispositivo, ou adquirir um relógio desportivo que consiga contar os passos.

De acordo com um relatório publicado na revista JAMA Network, o ideal seria completar diariamente entre 3.800 e 9.800 passos, percorrendo entre 2,5 e 6,5 quilómetros sensivelmente, para reduzir o risco de declínio mental.

Para chegar a estes valores, os investigadores avaliaram os desempenhos de mais de 78.400 pessoas que vivem no Reino Unido. Os cidadãos com idades entre os 40 e os 79 anos, que deram cerca de 9.800 passos por dia, tiveram 50% menos probabilidade de desenvolver demência, num período de sete anos.

As pessoas que andam a um ritmo de 40 passos por minuto foram capazes de reduzir o risco de demência em 57%, com uma média de 6.315 passos por dia (cerca de 4,3 quilómetros).

Até os mais preguiçosos conseguiram, pelo menos, realizar 3.800 passos por dia (cerca de 2,5 quilómetros), a qualquer velocidade. Isto reduzirá o risco de demência em 25%, segundo o estudo divulgado na terça-feira.

O professor adjunto da Universidade do Sul da Dinamarca e investigador científico na área da Saúde, Borja del Pozo Cruz, frisou à CNN que se trata de "uma mensagem que os médicos podem transmitir aos pacientes, até aos mais sedentários. Os quatro mil passos são executáveis para muitos, mesmo aqueles que estão menos aptos ou não se sentem muito motivados".

O também coautor do estudo revela que, naturalmente, as pessoas mais ativas vão colher os maiores benefícios se percorrerem pelo menos 10 mil passos (6,7 quilómetros) por dia.

Curiosamente, para além do número de passos por dia, também foi tido em consideração o ritmo da caminhada ao longo da distância percorrida. Assim, a maior redução no risco de demência é de 62%, alcançado por pessoas que caminham 112 passos por dia, durante 30 minutos.

AS CRÍTICAS AO ESTUDO

O número de passos e o ritmo da caminhada estão associados à demência? A questão surgiu há cerca de sete anos. E para tentar desconstruir esta hipótese, os investigadores reuniram dados de mais de 78.400 participantes que viviam no Reino Unido, com idades compreendidas entre os 40 e os 79 anos.

Atenta-se para o facto de que a demência ocorre sobretudo em pessoas com mais de 65 anos, mas não faz parte do envelhecimento normal. Trata-se de uma perturbação que pode afetar qualquer pessoa. Aliás, os jovens podem desenvolver demência após um AVC, traumatismos em caso de tumor cerebral, depressão ou alcoolismo.

Foram analisados vários fatores neste estudo, como a alimentação, tabagismo, o consumo de álcool, o uso de medicamentos, problemas de sono e histórico de doenças cardiovasculares.

Assim, os investigadores compararam o desempenho destes participantes com o diagnóstico de demência, sete anos depois.

Tendo em conta que este relatório se baseou apenas em dados observacionais, não se pode estabelecer qualquer causa-efeito direto entre a quantidade de passos dados por dia e o menor risco de demência.

"Muitas vezes há atrasos consideráveis no diagnóstico de demência e este estudo não inclui avaliações clínicas e cognitivas formais de demência. Portanto, é possível que a prevalência de demência na comunidade tenha sido muito maior", avisam os próprios autores no relatório.

Mesmo assim, “as evidências crescentes em apoio aos benefícios da atividade física para manter a saúde cerebral ideal não podem mais ser desconsideradas”, referem os investigadores Ozioma Okonkwo e Elizabeth Planalp.

A demência é um termo abrangente, que remete para perturbações cerebrais com vários tipos de doença, sendo o Alzheimer a mais comum.

Os sintomas da demência incluem perda de memória, comportamentos disruptivos, dificuldades em tomar decisões e desempenhar atividades, alterações de personalidade e desorientação. Trata-se essencialmente de uma diminuição lenta e progressiva da função mental, que afeta a memória, o pensamento, o juízo e a capacidade de aprender.

"A demência é evitável em grande medida", reitera o coautor do estudo, Pozo Cruz. "A atividade física, bem como um estilo de vida saudável podem colocá-lo no caminho certo para evitar a demência".

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