Saúde e Bem-estar

Análise genética ao sangue pode detetar Parkinson antes dos primeiros sintomas

Um estudo identificou 22 genes alterados em pessoas com Parkinson ainda sem tratamento. A análise de sangue pode tornar possível um diagnóstico precoce e menos invasivo.

Análise genética ao sangue pode detetar Parkinson antes dos primeiros sintomas
Canva

Uma análise genética ao sangue pode vir a permitir a deteção da doença de Parkinson antes de surgirem os primeiros sintomas. A conclusão é de um estudo do Instituto de Neurociências de Alicante e do Conselho Superior de Investigação Científica (CSIC).

“Os biomarcadores sanguíneos - moléculas no sangue que indicam o estado de saúde - representam um método altamente conveniente e minimamente invasivo para melhorar o diagnóstico da doença de Parkinson, especialmente em fases precoces”, refere o estudo publicado na revista científica Neurotherapeutics.

A investigação analisou alterações na expressão genética - isto é, na forma como os genes funcionam dentro das células - em amostras de sangue de 23 pacientes recém-diagnosticados com Parkinson e sem tratamento. 

Os resultados foram comparados com amostras de 16 pessoas saudáveis, de idade e sexo semelhantes.

Os cientistas identificaram 22 genes alterados nos pacientes com Parkinson, diferenças que não se verificaram nas pessoas saudáveis.

“Estas alterações não são observadas em doentes saudáveis”, explicou Marina Guillot, investigadora do CSIC que liderou o estudo.

Segundo Guillot, os genes identificados podem funcionar como marcadores precoces da doença.

O CSIC acrescentou que a ferramenta poderá também ajudar na monitorização da progressão da doença de Parkinson.

Método ainda em fase experimental

A nova ferramenta ainda não está disponível para uso clínico.

“O início e a progressão da doença de Parkinson ainda não estão totalmente esclarecidos e os tratamentos atuais têm efeitos limitados”, disse Jorge Manzanares, investigador da Universidade Miguel Hernández (UMH)

Manzanares acredita que o novo método poderá contribuir, no futuro, para o desenvolvimento de terapias mais eficazes e personalizadas.

O que é a doença de Parkinson e quais os sintomas?

A doença de Parkinson afeta quase 12 milhões de pessoas em todo o mundo, sendo a segunda doença neurodegenerativa mais comum e uma das principais causas de incapacidade neurológica. Afeta o controlo dos movimentos e não tem cura.

Os tratamentos atuais, como medicamentos ou a cirurgia de estimulação cerebral, ajudam a melhorar os sintomas.

Os sintomas motores, como tremores, rigidez, dificuldade em andar e lentidão dos movimentos, ocorrem com a morte de células no cérebro.

O diagnóstico da doença é feito com base na análise de sintomas.

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