Saúde e Bem-estar

Quando as mãos tremem: causas e tratamentos

Porque é que as mãos tremem? Quando é normal e quando é que é motivo de preocupação. O neurologista Marcelo Mendonça, vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Neurologia, explica as diferenças entre os vários tipos de tremor, as situações em que são benignos e os sinais que podem justificar uma avaliação médica.

Quando as mãos tremem: causas e tratamentos
Catherine McQueen

O tremor das mãos é um sintoma muito comum. Quase toda a gente vai sentir algum tremor em algum momento da vida e, na maioria das vezes, isso não significa doença.

Existe um tremor fisiológico, isto é, um tremor normal do corpo, que pode ficar mais visível em situações como fome, frio, ansiedade, falta de sono, depois de exercício físico ou após excesso de cafeína. Tipicamente é transitório e melhora quando a causa passa ou é corrigida.

Já o tremor persistente, que se mantém ao longo do tempo, pode ser sinal de um problema médico que vale a pena esclarecer. O aspeto mais importante para orientar as causas é perceber quando o tremor aparece.

Se surge sobretudo “a fazer coisas” - por exemplo ao comer, segurar num copo, usar talheres, escrever ou assinar - chamamos-lhe tremor de ação. Este tipo de tremor pode estar relacionado com causas não neurológicas, como o hipertiroidismo, ou com uma condição neurológica chamada Tremor Essencial.

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O Tremor Essencial é muito frequente, muitas vezes tem história familiar e progride de forma lenta. É frequentemente descrito como “benigno” por não ser uma doença neurodegenerativa, mas isso não quer dizer que seja insignificante. Em algumas pessoas pode ser bastante incapacitante e interferir com tarefas simples do dia a dia.

Felizmente, existem vários tratamentos eficazes, desde fármacos até opções cirúrgicas e de neuromodulação em casos selecionados, que podem reduzir a intensidade do tremor e melhorar a autonomia.

Quando aparece um tremor, é natural pensar em Doença de Parkinson, mas o tremor típico do Parkinson tem características diferentes. Em geral, é um tremor de repouso: tende a ser mais evidente quando a pessoa está parada e distraída, por exemplo a ver televisão ou deitada.

É frequentemente assimétrico, começando num lado do corpo, e pode melhorar durante o movimento voluntário. Por isso, nem todo o tremor é Parkinson. A forma como o tremor se manifesta ajuda muito a distinguir as causas e a orientar a avaliação clínica.


Artigo da autoria do neurologista Marcelo Mendonça, vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Neurologia