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“Todos os dias são presas pessoas corruptas do PS", como disse André Ventura?

A afirmação do presidente do Chega foi feita durante uma entrevista à RTP. Será verdade? A SIC Verifica.

“Todos os dias são presas pessoas corruptas do PS", como disse André Ventura?

A afirmação de que “todos os dias são presas pessoas corruptas do PS” foi feita esta quarta-feira pelo presidente do Chega, André Ventura, numa entrevista à RTP.

Questionado sobre as ligações de elementos do Chega ao grupo extremista 1143, Ventura disse não ter conhecimento sobre quem são os militantes nem "se estes elementos ainda são do Chega”.

"Isso era o mesmo que dizer 'O Partido Socialista é um partido de corrupção porque todos os dias são presas pessoas corruptas do PS'", alegou Ventura. Uma afirmação que não corresponde à realidade judicial portuguesa. Em Portugal não existem prisões diárias por crimes de corrupção, nem qualquer registo que sustente um padrão sistemático a envolver dirigentes do Partido Socialista.

Os processos por corrupção são longos, complexos e, na maioria dos casos, não implicam prisão preventiva. Quando há detenções, estas são excecionais e amplamente noticiadas.

No que respeita a casos confirmados de dirigentes socialistas com pena de prisão, destacam-se dois. Manuel Pinho, ex-ministro da Economia, foi condenado a prisão efetiva por crimes de corrupção e branqueamento de capitais no processo relacionado com a EDP. Já Armando Vara, antigo ministro e dirigente histórico do PS, cumpriu pena de prisão no âmbito do processo Face Oculta, por crimes de corrupção e tráfico de influência. Tratam-se, contudo, de casos pontuais ao longo de várias décadas e não de uma prática recorrente.

Armando Vara
NUNO VEIGA

Importa ainda sublinhar que prisões por corrupção não são exclusivas de um partido. Políticos ligados a outros quadrantes também cumpriram penas de prisão, como Isaltino Morais ou Valentim Loureiro, ambas figuras autárquicas associadas ao PSD e condenadas em processos por corrupção ou crimes económicos.

A SIC Verifica que é...

A afirmação de André Ventura assenta numa generalização extrema e apresenta casos isolados como se fossem um fenómeno diário e sistemático. Os factos não sustentam essa alegação.