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Europa. 4 mil milhões de euros destinados ao combate ao cancro

O Plano Europeu de Combate ao Cancro foi apresentado hoje, em Bruxelas

Margaritis Schinas, vice presidente da Comissão Europeia e Stella Kyriakides, Comissária da Saúde e Segurança Alimentar, na sessão de apresentação do Plano Europeu de Combate ao Cancro

Na véspera do Dia Mundial Contra o Cancro, a Europa faz história ao lançar, pela primeira vez, um plano de combate a esta doença. De recordar que, este ano, 2,7 milhões de pessoas na União Europeia foram diagnosticadas com neoplasias malignas e quase metade acabou por morrer.

"Muitos de nós - europeus - atravessamos uma batalha silenciosa contra o cancro. Perdemos mais de 1,3 milhões de europeus, só este ano", começa por dizer Ursula Von der Leyen, Comissária Europeia, na mensagem de abertura da conferência de impressa dedicada à apresentação do Plano Europeu de Combate ao Cancro, em Bruxelas.

"Infelizmente, o número de casos está a aumentar, é por isso que apresentamos hoje este plano. A luta daqueles que travam um combate ao cancro é também a nossa luta", acrescenta Von der Leyen.

Foram anunciados 4 mil milhões de euros para levar o plano a cabo, que será colocado em prática através dos diferentes instrumentos de financiamento da Comissão, reservados para ações contra o cancro, incluindo o programa EU4Health (1250 milhões) , o Horizon Europe ( 2000 milhões ) e o programa Digital Europe ( 250 milhões).

"Esperança, resiliência e ação"

Quais são os pilares do Plano Europeu de Combate ao Cancro?

As áreas nas quais o plano pretende incidir são: prevenção primária; rastreio oncológico; tratamento; cuidados de sobrevivência, qualidade de vida para pacientes com cancro e apoio do cuidador e, por último, informação, pesquisa e conhecimento.

"Uma União Europeia da Saúde forte é uma União onde os cidadãos estão protegidos contra cancros evitáveis, onde têm acesso ao rastreio e diagnóstico precoces e onde todos têm acesso a cuidados de alta qualidade, em cada etapa do processo", explica Stella Kyriakides, Comissária da Saúde e Segurança Alimentar, acrescentando que este é um plano sobre "esperança, resiliência e ação"

Stella Kyriakides, Comissária da Saúde e Segurança Alimentar

Stella Kyriakides, Comissária da Saúde e Segurança Alimentar

A prevenção foi o pilar mais enfatizado na conferência, visto que 40% dos casos de cancro são evitáveis. Com a implementação de medidas de combate a fatores de risco como substâncias perigosas, poluição ambiental, consumo nocivo de álcool ou tabaco - principal causa do cancro, tudo poderá melhorar. O grande objetivo nesta área é fazer com que menos de 5% da população consuma tabaco, até 2040 (contra a média atual de 25%), endurecendo a regulamentação dos produtos do tabaco e revisando sua tributação no final deste ano, entre outras medidas . "Queremos a próxima geração livre de tabaco", diz Margaritis Schinas, vice presidente da Comissão Europeia. Bruxelas também irá reexaminar a sua legislação sobre tributação do álcool e compras internacionais de álcool por indivíduos, bem como sua política de comunicação sobre bebidas alcoólicas.

A prevenção de cancros associados a infeções por meio da vacinação também se enquadra nesta área, elevando a percentagem de raparigas vacinadas para 90% e aumentando significativamente a de rapazes até 2030.

Outra das metas traçadas relaciona-se com a prevenção secundária. Os Estados-Membros devem garantir, até 2025, 90% da população da UE elegível para fazer um rastreio do cancro da mama, do colo do útero ou do colorretal o possa fazer.

Margaritis Schinas, vice presidente da Comissão Europeia

Margaritis Schinas, vice presidente da Comissão Europeia

No caso do diagnóstico e acesso, a meta de Bruxelas é que 90% dos pacientes elegíveis tenham acesso, até 2030, a centros de cancro nacionais, que estejam conectados através de uma rede da UE. E é que as disparidades entre países possam diminuir ( por exemplo, a taxa de sobrevivência após o tratamento do cancro varia em 20% de um Estado-Membro para outro ).

O impacto económico do cancro para a Europa está estimado em mais de 100 mil milhões de euros por ano. Sem recurso a medidas, prevê-se que até 2035 os casos de cancro aumentem quase 25%, tornando-se a principal causa de morte na UE.

A primeira discussão sobre o Plano Europeu de Combate ao Cancro ocorre amanhã, Dia Mundial de Combate ao Cancro, com uma audição a Stella Kyriakides, na Comissão Especial de Combate ao Cancro do Parlamento Europeu.

Veja também: UE alerta para o impacto da pandemia no tratamento do cancro

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