Notícias

Cancro do intestino é a principal causa de morte por cancro em Portugal

Especialistas alertam para a importância do diagnóstico precoce no mês Europeu de Luta contra o Cancro do Intestino, que começa hoje e termina no final de março. Recuperar rastreios é a prioridade.

Março é o Mês Europeu de Luta Contra o Cancro do Intestino

Callaghan O'Hare

Desde que a pandemia chegou, os exames de rastreio, e algumas consultas e cirurgias no âmbito do cancro do intestino foram adiados por todo o país. Como consequência, os tumores podem estar a ser descobertos mais tarde, sendo que não há estrutura capaz de dar resposta aos doentes não-covid, como é o caso dos doentes oncológicos.

Segundo os dados da United European of Gastroenterology morrem em Portugal, diariamente, uma média de 11 pessoas por cancro colorretal, sendo que passados cinco anos, 50% dos doentes sobrevive. "Estes dados são alarmantes já que, se o diagnóstico for realizado atempadamente, a sobrevivência ultrapassa os 90% quando detetado na primeira fase", pode ler-se no comunicado da Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia (SPG), emitido no dia em que começa o Mês Europeu de Luta Contra o Cancro do Intestino.

Colonoscopias diminuíram drasticamente

Um estudo recente, realizado em Portugal, diz que mais 125 mil portugueses sem rastreio ao cancro do cólon e reto. Para além disso, os centros de saúde realizaram menos 11,4 milhões de consultas presenciais, segundo os dados apresentados, no mês passado, pelo Movimento Saúde em Dia, liderado pela Ordem dos Médicos e pela Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares.

Mediante o registo feito pela IQVIA, a realização de colonoscopias, em 2020, diminuiu muito. Basta olhar para os seguintes dados: "quando se analisa o número de preparações intestinais ( o produto que prepara o intestino para poder ser convenientemente explorado), disponibilizado durante o ano transato, a redução de 150 mil preparados (correspondente a quebra de 30% do seu mercado anual),aponta para um importantíssimo decréscimo do número total de colonoscopias (as tais 150 mil) numa fase em que o expectável era o aumento progressivo da necessidade da sua utilização, pela maior literacia do público e dos profissionais relativamente aos méritos e eficácia da colonoscopia como método de eleição para a prevenção do cancro colorretal", diz o comunicado da SPG.

"Se presumirmos que só metade destes 150 mil exames é que seria puramente para rastreio endoscópico – a outra metade seria solicitada com propósito de diagnóstico de situações clinicas que indicam a sua realização, como por exemplo na anemia ou alterações digestivas – em 75 mil exames endoscópicos de rastreio seriam encontrados, como habitualmente, 25 mil condições (30% dos 75 mil), que podem evoluir gravemente: as tais lesões precursoras que por ausência da colonoscopia não foram detetadas nem adequadamente tratadas nesse mesmo gesto", acrescenta a SPG.

A associação estima que o sistema de saúde português tenha que tentar resolver mais de 25 mil situações com que as diversas unidades de saúde não puderam lidar.

Plano para realizar rastreios

Com o propósito de fazer face à conjuntura desfavorável, a SPG propõe que seja feito um plano que promova ativa e organizadamente a realização de procedimentos endoscópicos que, num momento apenas, identifica e remove o que poderia evoluir para cancro.

De recordar que, de acordo com as normas da Direção Geral de Saúde e guidelines internacionais, todos os utentes, mesmo assintomáticos, a partir dos 50 anos, devem ser incluídos num programa de rastreio do cancro do cólon e reto.

Para o presidente da comissão da prevenção do cancro do cólon da SPG, Guilherme Macedo, “é urgente alertar a população para a elevada incidência e mortalidade desta doença, que pode ser acautelada através de um diagnóstico eficaz e atempado” e acrescenta que “é altura de implementar uma estratégia nacional baseada na colonoscopia, com igualdade de acesso a todos os cidadãos à prevenção e tratamento, de forma a colmatar os atrasos causados pela pandemia”.

Por último, a associação chama a atenção para a influência dos estilos de vida no aparecimento de cancro do intestino: dietas com uma elevada quantidade de alimentos processados, o elevado consumo de álcool e o tabaco são alguns dos fatores de risco.

40% dos casos de cancro podem ser evitados através de hábitos de vida saudáveis.

Notícias

Mais