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Vacinação. "Os doentes oncológicos são prioritários porque apresentam maiores riscos associados ao vírus"

Quem tem tumores hematológicos, cancro do pulmão ou doença oncológica metastática deve ser vacinado primeiro, segundo explica Ana Raimundo, presidente da Sociedade Portuguesa de Oncologia

Desde que foram anunciadas as prioridades para a nova fase de vacinação contra a covid-19, numa conferência de imprensa que contou com os responsáveis por levar a cabo o Plano, que se sabe que os doentes oncológicos com doença ativa vão começar a ser vacinados. Nesse sentido, o Tenho Cancro. E depois? dedicou a segunda sessão da rubrica "Vamos falar?" ao esclarecimento das principais questões sobre esta temática. A iniciativa contou com a presença de Ana Raimundo, presidente da Sociedade Portuguesa de Oncologia (SPO), que garante que "os doentes oncológicos são prioritários porque apresentam maiores riscos associados ao vírus".

Francisco Rodrigues, presidente da AC Rim Portugal e Isabel Barbosa, presidente da Associação Portuguesa de Leucemias e Linfomas (APLL), foram os representantes de associações de doentes presentes no evento, que ocorreu online, no facebook da Sic Notícias.

Quais são as razões para os doentes oncológicos serem considerados prioritários?

1 - Dificuldade em cumprir distanciamento. “Os doentes oncológicos com doença ativa necessitam de continuar os seus tratamentos e consultas e, consequentemente, têm que recorrer um maior número de vezes aos serviços de saúde, logo, há um aumento de risco de contágio", explica a presidente da SPO. Desta forma, o distanciamento social pode não conseguir cumprir-se como faz a população em geral;

2 - Sistema imunitário deprimido. Os doentes com cancro têm a sua resposta imunológica comprometida pela própria doença e pelos tratamentos oncológicos, o que faz com que fiquem mais susceptíveis ao surgimento de complicações por infeção do novo coronavírus;

3 - População envelhecida. Constituem uma população mais envelhecida, com maior morbilidade. " A idade é o maior fator de risco associado à infeção pelo SARS-Cov-2", lembra a especialista;

4 - Implicações da infeção na própria doença. “A infeção por covid-19 pode levar a um atraso, com consequências nefastas, no screening, no diagnóstico e no tratamento do cancro", conclui Ana Raimundo.

A somar a estes fatores, já há estudos, publicados em 2021, que mostram que os doentes com doença oncológica ativa têm maior taxa de mortalidade associada à covid-19. Também se verificou que os doentes com cancro (ativo ou não) que foram infetados pelo SARS-Cov-2 tiveram uma maior taxa de mortalidade do que aqueles que não foram infetados.

Os doentes com cancro devem ter todos a mesma prioridade?

A resposta é não. Doentes com tumores hematológicos - onde a taxa de mortalidade ronda os 37% (sendo que é de 25% para os tumores sólidos) - , com cancro do pulmão e doentes com doença metastática devem ser considerados os mais prioritários.

"Os doentes com cancro tratados há mais de um ano e sem doença ativa já não constituem um grupo de risco e, por isso, devem ser incluídos nas regras de prioridade da população em geral", explica Ana Raimundo.

Ana Raimundo, presidente da SPO, esclareceu as dúvidas sobre a vacinação nos doentes oncológicos, numa discussão moderada pela jornalista da Sic Notícias, Rita Neves. À conversa juntaram-se Francisco Rodrigues (AC Rim Portugal) e Isabel Barbosa (APLL)

Ana Raimundo, presidente da SPO, esclareceu as dúvidas sobre a vacinação nos doentes oncológicos, numa discussão moderada pela jornalista da Sic Notícias, Rita Neves. À conversa juntaram-se Francisco Rodrigues (AC Rim Portugal) e Isabel Barbosa (APLL)

A vacinação é eficaz?

Ainda existem algumas incertezas sobre os resultados da vacinação, a longo prazo, e quanto tempo é que essa imunidade se mantém. A evidência ainda é limitada porque os ensaios clínicos feitos até ao momento não incluem uma amostra significativa de doentes oncológicos. No entanto, a experiência mostra que outras vacinas contra infeções víricas - a da gripe, por exemplo - conseguem proteger os doentes oncológicos contra estas infeções, diminuir a taxa de complicações e internamentos e, por último, permitem que os doentes prossigam os seus tratamentos oncológicos. “A evidência parece mostrar-nos que a eficácia da vacina é similar para quem tem cancro e para quem não tem", diz a presidente da SPO, acrescentando que "os potenciais benefícios da vacinação ultrapassam os potenciais riscos”.

Efeitos secundários. Quais podem ser?

Os efeitos secundários da vacina nos doentes com cancro são muito semelhantes aos da população em geral. Se o doente tiver antecedentes de reação alérgica grave relacionados com a toma de vacinas deverá marcar uma consulta de Imunoalergologia antes de ser vacinado contra a covid-19.

Podem surgir os seguintes efeitos, sobretudo após com a administração da segunda dose:

- Dor no local onde foi administrada a vacina;

- Fadiga;

- Dores musculares e articulares;

- Febre;

- Arrepios;

- Dores de cabeça.

Se sentir efeitos secundários o doente deverá informar o seu médico oncologista e o seu médico de família, para que estes não sejam confundidos com efeitos de tratamentos oncológicos.

Como agendar a toma da vacina? O que fazer se esta coincidir com um tratamento contra o cancro?

O doente pode fazer o agendamento da sua vacina por duas vias : falar com o seu médico de família ou expôr o assunto ao seu oncologista, que dará seguimento ao processo.

"Os tratamentos oncológicos não devem ser adiados por muito tempo. Se coincidirem ( vacina e tratamento ) no mesmo dia, aconselho a que os doentes tentem adiar a administração da vacina e fazer a sua toma após quatro ou cinco dia da realização do tratamento oncológico", sugere Ana Raimundo.

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