Assim como Ana Paula Martins, na pasta da Saúde, a nova ministra da Justiça também tem pela frente uma série de desafios. Rita Júdice terá que pôr um ponto final nas greves que têm adiado milhões de atos processuais e conseguir respostas efetivas no combate à corrupção.
Foi um dos nomes mais bem guardados por Luís Montenegro. Rita Júdice até chegou a aparecer associado à pasta da habitação, mas foi para a Justiça que o novo primeiro-ministro a chamou.
Num governo que toma o lugar de outro que caiu às mãos da Justiça, esta pode transformar-se numa das pastas mais difíceis de gerir no novo Executivo.
É prioridade assumir o discurso da luta contra a corrupção, tomando medidas concretas que permitam esvaziar uma discussão quase sempre dominada pelo Chega de André Ventura.
Estatuto da Ordem é tema sensível
Os advogados também têm uma lista de exigências. Uma das principais passa pela eliminação das alterações ao estatuto da Ordem dos Advogados que pôs a classe em rota de colisão com o governo socialista.
Mas na Justiça também se fala de dinheiro. Com os funcionários judiciais à cabeça, também Rita Júdice vai ter de abrir os cordões à bolsa se quiser pacificar o setor.
As greves dos funcionários judiciais marcaram o setor no ano passado com milhões de atos processuais adiados. O tempo está a contar.