Lusa

Linha do Douro: Associação transfronteiriça iniciou a limpeza da linha que ligava o Porto a Salamanca (C/VÍDEO).

Francisco Pinto

Vila Nova de Foz Côa, 12 mar (Lusa) -- Cerca de três dezenas de voluntários portugueses e espanhóis iniciaram hoje a limpeza de um troço da linha de caminho de ferro que liga as estações de Fuentes de San Esteban (Espanha) e o Pocinho(Vila Nova de Foz Côa).

***Serviço de vídeo disponível em www.lusa.pt***





Vila Nova de Foz Côa, 12 mar (Lusa) -- Cerca de três dezenas de voluntários portugueses e espanhóis iniciaram hoje a limpeza de um troço da linha de caminho de ferro que liga as estações de Fuentes de San Esteban (Espanha) e o Pocinho(Vila Nova de Foz Côa).

Esta primeira intervenção levada a efeito pela Associação transfronteiriça Todavía teve início na localidade de Lumbrales (Espanha) estando programada a conclusão dos trabalhos de limpeza e desobstrução da via para o próximo mês de abril.

Em declarações à Agência Lusa, o representante espanhol da associação Todavía, José Herrero, disse que as instituições e governos ibéricos não encontraram uma saída para o futuro da linha e por esse motivo teve se mobilizar a sociedade civil de ambos os lados da fronteira para se encontrar uma solução para dar vida à via.

Nem a chuva que se faz sentir demoveu os voluntários de levarem a efeito um trabalho que consideram "cívico" de "enriquecimento cultural e turístico" de uma região afastada dos centros de decisão como Madrid ou Lisboa.

"No projeto de revitalização da ferrovia colaboraram pessoas sem interesses económicos ou pessoal, apenas se movem utilizando as suas máquinas e ferramentas para transformar uma legado histórico num ponto de interesse cultural e turístico," salientou o responsável.

Os defensores da ferrovia do Douro que fazia a ligação entre o Porto e Salamanca garantem que não querem com as suas ações "denunciar" nada, mas apenas "atuar em defesa do património ferroviário".

A ideia passa por abranger todo o traçado de linha férrea entre Fuentes de San Estaban-Lumbrales-Barca d'Alva- Pocinho- Estação do Côa.

Os partidários deste troço da Linha do Douro advogam que, pela "união de saberes" de diversos especialistas locais, estes troços de via possam passar para as mãos de pequenas empresas ou associações que façam a sua exploração e manutenção.

"Há uma série de pequenos veículos movidos a energia solar, a pedais ou até mesmo a outros tipos de combustíveis" que poderão ali circular sem obrigar a grandes intervenções nos túneis ou outras obras de arte" garantiram os responsáveis da associação Todavía.

A região transfronteiriça do Douro internacional esta dotada de verdadeiras "obras de arte do testemunho deixado pelos impulso dos caminhos de ferro", mas também "por obra da natureza".

"São estas vertentes que terão de ser aproveitadas no futuro para fazer convergir à região transfronteiriça do Douro, um desenvolvimento sustentável tão necessário," defendem os partidários da via transfronteiriça.

Por seu lado, o mentor da iniciativa do lado português, Daniel Gil, considera que esta ação é o começo da implantação de projetos concretos previamente estudados por vários especialistas em caminhos de ferros, em conjunto com a associação Todavía.

A Associação Todavia assegura ter "projetos" para apresentar à Administradora de Infraestruturas Ferroviárias (ADIF), a congénere espanhola da REFER.

A prazo, pretende também entregar um conjunto de projetos ao Estado Português, com vista ao aproveitamento turístico da linha de caminho de ferro.

A linha do douro ente fontes de San Esteban e o Pocinho tem cerca de 20 quilómetros e extensão estando desativada há mais de duas dezenas de anos.





FYP.

Lusa/fim

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