Fake News: a ilusão da verdade

Como identificar uma teoria da conspiração?

Como identificar uma teoria da conspiração?

Quem escreveu isto e porquê? A fonte é fiável e tem boa reputação? O conteúdo é equilibrado e razoável ou sensacionalista? Estas são algumas perguntas a ter em conta para perceber se o conteúdo em causa é uma teoria da conspiração.

A disseminação de teorias da conspiração tem crescido com a pandemia da covid-19 e a Comissão Europeia, em conjunto com a UNESCO, lançou um guia para ajudar a população a identificar, desmentir e combater este tipo de desinformação.

"Atenção: com a pandemia de COVID-19, assistiu-se a um aumento das teorias da conspiração nocivas e enganosas. Pode ser difícil reconhecê-las ou saber a melhor forma de lidar com elas", é o alerta deixado pela Comissão Europeia.

O que são?

As teorias da conspiração são a crença de que forças poderosas e mal-intencionadas manipulam secretamente determinados acontecimentos ou situações, nos bastidores.

As teorias da conspiração têm seis características em comum:

De acordo com a Comissão Europeia, as teorias da conspiração surgem como uma "explicação lógica" de acontecimentos ou situações difíceis de compreender. Criam uma falsa sensação de controlo e de domínio da situação. Toda esta necessidade de clareza e justificação aumenta durante períodos de incerteza, como a pandemia de covid-19, por exemplo.

Desenvolvidas frequentemente a partir de suspeitas, as teorias da conspiração colocam a questão de saber quem beneficiar do acontecimento ou da situação, identificando assim os conspiradores. Os "elementos prova" são depois forçados a encaixar na teoria elaborada. Podem ser rapidamente disseminadas e são difíceis de refutar, uma vez que qualquer pessoa que o tente fazer passa a ser considerada parte da conspiração.

Mas porque é que as teorias da conspiração são espalhadas? A maioria das pessoas acredita que é informação verdadeira. Outras pretendem deliberadamente provocar, manipular ou atingir certas pessoas, por razões polícias ou financeiras.

Como identificar teorias da conspiração?

Há três elementos essenciais no processo de identificar uma teoria da conspiração: verificar o autor, a fonte, e o tom e o estilo do conteúdo.

Quem escreveu isto e porquê? A fonte é fiável e tem boa reputação? O conteúdo é equilibrado e razoável ou sensacionalista? Estas são algumas perguntas a ter em conta para perceber se o conteúdo em causa é uma teoria da conspiração.

Para ajudar a população, a Comissão Europeia faz uma comparação e deixa várias dicas a ter em conta. É pouco provável que seja uma teoria da conspiração quando o autor possui qualificações e credenciais reconhecidas, e utiliza factos e provas verificáveis. Ao contrário de quando o autor é um perito autoproclamado e não está ligado a nenhuma organização ou instituição respeitável, afirmando ainda ter credenciais, que não serão válidas.

A fonte terá de ser avaliada. Se é citada por diferentes meios de comunicação e apoiada por especialistas é pouco provável que seja uma teoria da conspiração. Se a fonte não for clara e partilhada apenas por peritos autoproclamados é provável que seja desinformação.

O estilo e tom também são importantes na hora de avaliar o conteúdo. É pouco provável que se trate de uma teoria da conspiração quando o autor não hesita em explorar a complexidade do tempo e quando o tom é objetivo e factual. O mesmo não acontece quando o autor apresenta a sua informação como a única verdade válida e quando fornece perguntas em vez de respostas. O tom é subjetivo e terá uma elevada carta emocional.

Podem ser perigosas?

Sim. As teorias da conspiração podem ser perigosas e causar danos na sociedade, num grupo ou pessoa.

A Comissão Europeia faz uma lista de três tipos de danos que podem causar:

  1. "Identificam um inimigo e uma conspiração secreta que ameaça as vidas ou convicções das pessoas desencadeia um mecanismo de defesa, que pode contribuir para a discriminação, justificar crimes de ódio e ser explorado por grupos extremistas violentos."
  2. "Promovem a desconfiança nas instituições públicas, o que pode levar à apatia política ou à radicalização."
  3. "Lançam a desconfiança sobre a informação científica e médica, o que pode ter consequências graves."

As teorias da conspiração e a covid-19

Em contexto da covid-19, a população tem de estar em alerta pois as teorias da conspiração ignoram provas científicas e culpam indivíduos ou grupos que não são responsáveis pela pandemia.

Alegam que o vírus foi criado artificialmente por pessoas com um interesse específico, como reduzir a população mundial ou farmacêuticas que querem vender o tratamento.

Alegam que as vacinas e tratamentos são retidos, intencionalmente, para não interromper a disseminação do vírus e prejudicar o maior número de pessoas possíveis.

Alegam que certas medidas de restrição, como o confinamento, são usadas para prejudicar ou controlar a sociedade. Todas estas alegações são apresentadas sem as provas científicas e, perante esta desinformação, a Comissão Europeia deixa um alerta:

"Baseie-se em informações verificadas. Na dúvida, não partilhe. Trave a difusão."

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