Economia

Estado disposto a pagar 40 milhões de euros para comprar posição de Neeleman na TAP

Notícia SIC

Estado disposto a pagar 40 milhões de euros para comprar posição de Neeleman na TAP

Acordo deverá acontecer até ao fim do dia.

O Estado está a tentar comprar a posição de David Neeleman na TAP, que detém 22,5% do capital da companhia aérea, e está disposto a dar 40 milhões de euros. No entanto, o empresário americano só aceita sair da companhia por 55 milhões de euros e a diferença de apenas 15 milhões está a empatar o acordo.

É aqui que entra o acionista português Humberto Pedrosa, que detém os mesmos 22,5% que David Neeleman. O empresário pode reforçar a posição na companhia ao comprar uma parte da posição de Neeleman em conjunto com o Estado.

A SIC sabe que para fazer avançar o negócio Humberto Pedrosa tem disponíveis os 15 milhões de euros que faltam para chegar ao valor exigido pelo americano, embora exija condições que garantam que não perde capital no futuro.

Se a solução avançar, o Estado - que agora tem 50% do capital da TAP - pode reforçar a posição para cerca de 70%, passando a companhia a ser maioritariamente pública, sem ser nacionalizada.

BE quer nacionalizar, PSD defende reforço da posição

O Presidente da República disse esta terça-feira que a falência da companhia áerea nacional não é uma hipótese. Marcelo Rebelo de Sousa não comenta uma possível nacionalização, mas defende uma solução que permita à TAP cumprir o interesse nacional.

À esquerda, a coordenadora do BE Catarina Martins defende o domínio público da companhia, mas com um programa estratégico, enquanto à direita, o líder do PSD Rui Rio não vê a necessidade de uma nacionalização, defendendo apenas um reforço da posição acionista do Estado.

"TAP é demasiado importante para o país para a deixarmos cair"

O ministro das Infraestruturas disse que a TAP é "demasiado importante" para o país para que se deixe "cair", depois de questionado sobre uma eventual falta de acordo entre acionistas e a opção pela nacionalização da companhia, que tinha sido avançada pelo Expresso.

Pedro Nuno Santos chegou até a responder às críticas da Iniciativa Liberal acerca da possível nacionalização da TAP, afirmando que "Só os fanáticos da Iniciativa Liberal acham que podemos deixar cair a TAP".

Em reação às declarações do Governo, Ricardo Costa e José Gomes Ferreira admitiram que nacionalizar a TAP seria "uma escolha complicada e arriscada", num comentário no Primeiro Jornal da SIC.

Tap quadriplica prejuízos

No primeiro trimestre de 2020, a TAP registou 395 milhões de euros de prejuízos, que comparam com os prejuízos de 107 milhões de euros no mesmo período do ano passado.

A companhia explica que sem o impacto da pandemia e das diferenças de câmbio, os prejuízos teriam sido menos de metade. A TAP justifica que sem estes dois fatores os prejuízos teriam ficado em 170 milhões de euros.

Desde o início da pandemia, a TAP suspendeu e adiou investimentos não urgentes, a contratação de novos trabalhadores e renegociou contratos e prazos de pagamento a fornecedores.

Governo admite "intervenção mais assertiva" na TAP

O ministro das Infraestruturas disse hoje que a proposta do Estado com as condições para um empréstimo de até 1.200 milhões de euros à TAP foi chumbada pelo Conselho de Administração, e admite "uma intervenção mais assertiva na empresa".

"A proposta que o Estado fez neste momento foi chumbada no Conselho de Administração" numa reunião na segunda-feira, disse o ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, que falava na comissão de Economia, Inovação, Obras Públicas e Habitação, na Assembleia da República, em Lisboa.