Economia

"Não é uma questão de chantagem, a TAP precisa desesperadamente de reduzir efetivos"

Entrevista SIC

MANUEL DE ALMEIDA

Veja aqui a entrevista do ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos.

A Comissão Europeia deu esta sexta-feira luz verde à ajuda intercalar de 462 milhões de euros à TAP, para compensar prejuízos devido à pandemia.

O ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, esteve no Jornal da Noite da SIC para falar sobre a situação da companhia aérea e não só, numa entrevista que pode ver abaixo na íntegra.

"A empresa está entre a espada e a parede"

O ministro rejeita que se trate de chantagem quando se fala nos despedimentos. Garante que a empresa está entre a espada e a parede e que precisa assim de reduzir efetivos com urgência, para se poder salvar.

"Não é uma questão de chantagem, é que a empresa precisa desesperadamente de uma redução de efetivos e uma redução drástica de custos, porque teve uma travagem brusca da atividade", justificou o ministro.

Pedo Nuno Santos adiantou ainda que vão ser dispensados trabalhadores de todos os setores da companhia aérea.

"A 6.240 trabalhadores foi garantida a permanência na empresa"

Apesar das rescisões por mútuo acordo, reformas e pré-reformas, Pedro Nuno Santos garantiu que foram enviadas cartas de conforto a pelo menos 6.240 trabalhadores, a dizer que não está em causa a sua permanência na empresa.

Companhia aérea registou o maior prejuízo de sempre em 2020

Num ano marcado pela pandemia, a TAP registou um prejuízo de 1.230 milhões de euros. É o maior prejuízo de sempre na história da transportadora aérea.

A companhia perdeu 3,4 milhões de euros por dia. Tudo somado, num ano em que a pandemia afastou o mundo, registou-se uma quebra de cerca de 73% de passageiros.

O ministro disse, em entrevista à SIC, que não são apenas os trabalhadores da TAP que estão a passar por uma enorme dificuldade, "toda a economia sofreu uma travagem brusca".

Pedro Nuno Santos diz que os prejuízos da companhia aérea estão exatamente em linha com o que está a acontecer em toda a Europa, devido à pandemia.

MÁRIO CRUZ

Bruxelas vai compensar perdas do surto registado entre março e junho de 2020

Apesar da companhia ainda se encontrar ao abrigo do auxílio de Emergência e Reestruturação, Bruxelas entendeu compensar as perdas do surto registado entre março e junho de 2020, quando Portugal e outros países tiveram de impor restrições às viagens para conter a pandemia.

"A Comissão Europeia considera que a medida de apoio portuguesa a favor TAP, no valor de 462 milhões de euros, está em conformidade com as regras da UE em matéria de auxílios estatais. A medida visa compensar a companhia aérea pelos danos sofridos devido ao surto de coronavírus entre 19 de março e 30 de junho de 2020", informa a instituição em nota de imprensa.

O executivo comunitário contextualiza que, segundo a notificação de Portugal, este apoio estatal servirá para fazer face aos prejuízos resultantes das "medidas de contenção e das restrições às viagens que Portugal e outros países de destino tiveram de introduzir para limitar a propagação do coronavírus".

O apoio em forma de empréstimo pode ser "convertido em capital e desembolsado à TAP numa ou várias prestações, mas o executivo comunitário esclarece que "qualquer apoio público que exceda os danos efetivamente sofridos pela companhia aéreas terá de ser devolvido a Portugal".

"Novos órgãos sociais da companhia conhecidos nas próximas semanas"

O ministro das Infraestruturas afirmou hoje que os novos órgãos sociais da empresa deverão ser conhecidos nas próximas semanas.

Pedro Nuno Santos não quis avançar com nomes, mas disse que na altura certa "terão uma equipa para implementar o plano de restruturação".