Economia

Bruxelas revê em baixa crescimento da economia portuguesa para 2021

Yves Logghe / Reuters

Já para o próximo ano, a expectativa é que Portugal volte aos níveis pré-pandemia em meados de 2022.

Bruxelas revê em baixa o crescimento da economia portuguesa para 2021, o que coloca o país abaixo da média da Zona Euro. Já para o próximo ano, o otimismo é bem maior e a expectativa é que Portugal volte aos níveis pré-pandemia em meados de 2022.

De acordo com as previsões de Primavera da Comissão Europeia, divulgadas esta quarta-feira, Portugal deverá crescer 3,9% este ano, ligeiramente abaixo do previsto pelo Governo e da média da Zona Euro.

Em termos anuais, as previsões de um crescimento de 3,9% anunciadas pela Comissão Europeia estão exatamente alinhadas com as do Banco de Portugal (BdP) e as do Fundo Monetário Internacional (FMI), estando uma décima abaixo dos 4,0% esperados pelo Governo e acima dos 3,3% do Conselho das Finanças Públicas (CFP) e dos 1,7% da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).

Ainda assim, a expectativa é que com o avanço da vacinação e o impacto da bazuca europeia, a economia ganhe balanço.

"A economia portuguesa irá crescer novamente a partir do segundo trimestre de 2021, à medida que as medidas para conter a pandemia de covid-19 são gradualmente relaxadas", pode ler-se no texto sobre Portugal nas 200 páginas das previsões económicas de primavera.

Para o próximo ano, os técnicos europeus apontam para um crescimento de mais de 5%, acima das previsões de João Leão e do conjunto da moeda única. Quanto ao défice, Bruxelas fala em 4,7% este ano e 3,4% no próximo, ligeiramente acima das previsões.

Bruxelas antecipa ainda que o PIB português deverá chegar ao seu nível pré-crise "a meio de 2022" (ano em que a Comissão Europeia espera um crescimento de 5,1%), algo ajudado pelo Mecanismo de Recuperação e Resiliência (MRR), uma previsão mais otimista do que a do Governo, que aponta para o final do próximo ano.

"A projeção tem em conta um forte crescimento do investimento, ajudado pelo desenvolvimento do MRR. Assume-se que a recuperação no turismo ganhará velocidade no terceiro trimestre de 2021, mas não se espera que o setor tenha atingido o seu nível pré-pandemia no final do horizonte de projeções", ou seja, em 2022.

De acordo com Bruxelas, os riscos para Portugal permanecem, devido à "alta dependência do turismo externo, onde a incerteza acerca do caminho para a recuperação permanece alta".

A Comissão Europeia aponta também que "tanto as exportações como as importações deverão crescer a níveis altos durante o horizonte de projeções, devido sobretudo a efeitos na indústria das viagens".

"O setor externo deverá ter uma contribuição positiva para o crescimento do PIB em 2021 e 2022", e a balança corrente também deverá melhorar, mas "permanecerá ligeiramente negativa", dado que o fluxo líquido de receitas do turismo "deverá permanecer abaixo dos níveis pré-pandemia".

Bruxelas aponta, em 2021, para um crescimento do investimento total de 4,6% e uma inflação de 0,9%.

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