Economia

Aumento de salários ao nível da inflação "seria uma loucura" e economista explica porquê

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Luís Aguiar Conraria afirma que "não há uma varinha mágica para isolar os portugueses do aumento do custo de vida".

O aumento do custo de vida já se sente na carteira dos portugueses. Em julho de 2022, a inflação já ultrapassava os 9%. Luís Aguiar Conraria, economista e comentador SIC, afirma que o Governo e as empresas pouco podem fazer para travar a subida dos preços.

Não há uma varinha mágica para isolar os portugueses do aumento do custo de vida. Há um choque que tem origem externa, ninguém em Portugal é culpado deste choque que fez disparar os preços, e não há nada que o governo possa fazer que impeça isso”, explica na Edição da Noite da SIC Notícias.

O comentador acredita que o Governo deve “apoiar os portugueses que mais precisam”, com apoios monetários que as famílias mais carenciadas irão usar para aumentar o poder de compra e fazer a economia mexer. Quando aos aumentos de salários, Luís Aguiar Conraria defende um aumento, mas não para valores iguais à inflação.

“Claro que só se os salários aumentarem em igual montante [da inflação] é que não há uma perda do poder de compra real. O problema que muitos economistas têm – e é também o medo dos bancos centrais – é que ao aumentarem os salários em valores tão elevados, esse próprio aumento de salários vá alimentar a inflação do próximo ano e portanto a maioria dos economistas preferiria um aumento mais moderado.

Luís Aguiar Conraria considera “ridículo aumentar os funcionários públicos em 0,9% quando a inflação é 9%”, mas ressalva que “aumentar em 9% seria uma loucura”. “Tem de ficar a meio termo: aumentos de 4%, 5% que permitam às pessoas ajustarem-se mais facilmente sem, no entanto, alimentar a inflação”, acrescenta.

No entanto, o economista identifica um aspeto positivo nesta crise económica: a baixa taxa de desemprego que se regista em Portugal.

Já há muitos anos que não tínhamos uma taxa de desemprego tão baixa. E, apesar de tudo, isso é a melhor forma de combater uma crise: enquanto as pessoas não perderem os seus empregos podem viver pior por causa da inflação, mas não vivem tão mal como se fossem parar ao desemprego e vissem o seu rendimento cair para metade”, afirma, considerando que se trata de um “bom sinal” que a taxa de desemprego não tenha disparado.

Quando questionado sobre o impacto que os aumentos – principalmente os da energia – têm nos produtores e nas empresas, o comentador SIC reforça que os apoios monetários aos consumidores vão levar as famílias a comprar mais, o que fará chegar dinheiro aos produtores e empresas.

Sobre o impacto da crise no Orçamento do Estado, o economista explica que, neste primeiro ano, o Governo “terá um ano fácil, em que criará uma almofada”. Porquê? Como os gastos do Estado forma contratualizados antes do início da crise e não houve um aumento de gastos com salários ou subsídios, o Executivo irá arrecadar um valor mais alto através dos impostos – principalmente do IVA que sobe em função do aumento dos preços.

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