Economia

Tripulantes de cabine e administração da TAP voltam a sentar-se à mesa

Tripulantes de cabine e administração da TAP voltam a sentar-se à mesa
Francisco Seco/AP

Os sete dias de greve, entre 25 e 31 de janeiro, mantêm-se no horizonte mas a porta ao diálogo ainda está aberta. SNPVAC e TAP vão voltar a sentar-se à mesa para nova ronda negocial.

O Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC) e a TAP vão voltar a sentar-se à mesa, para nova ronda negocial. O objetivo é tentar travar a greve de sete dias dos tripulantes de cabine, prevista para a próxima semana.

Numa mensagem aos associados, o sindicato adiantou que "decorreu ontem [quinta-feira] , ao final do dia, mais uma ronda negocial entre a administração e a direção do SNPVAC, de modo a tentar solucionar o diferendo" entre as duas partes.

Nessa reunião, a direção do sindicato garantiu que explicou "de forma detalhada", a "enorme insatisfação" dos associados, que esta quinta-feira rejeitaram, em assembleia-geral, a proposta da TAP e decidiram manter o pré-aviso de greve entre os dias 25 e 31 de janeiro.

"Durante a reunião, os dirigentes sindicais expressaram que, para além dos pontos não alcançados, o próprio documento não transmite a confiança necessária para a sua ratificação, em virtude de vários anos de interpretações peregrinas da empresa", destacou a estrutura sindical.

A direção do SNPVAC espera que "a administração e a tutela tenham entendido, que o resultado de ontem não advém somente do documento, mas de vários anos de interpretações unilaterais, que quebraram a confiança na administração".

Ainda assim, "haverá, hoje, uma nova ronda negocial", cujo resultado o SNPVAC irá comunicar aos seus associados, "logo que possível, para não haver dúvidas e deturpações da mensagem".

"Ontem, na assembleia-geral, demonstrámos que, mais do que o regresso das nossas condições de trabalho, da nossa realidade operacional, familiar e das condições financeiras, queremos o respeito e a dignidade que merecemos", rematou o sindicato.

Ainda ontem, após a Assembleia-Geral, o presidente do SNPVAC vincou que apesar de o sentimento de insatisfação dos trabalhadores ser "gigante", a porta ao diálogo com a empresa mantinha-se aberta.

"Foi, provavelmente, uma das maiores votações de sempre e é um sinal que espero que a administração, que o Governo entenda de uma vez por todas. A insatisfação é gigante, a insatisfação atingiu níveis que não basta chegarmos a 12 de 14 propostas", disse Ricardo Penarróias.

Os números da (possível) greve

Após o chumbo de ontem, a TAP anunciou que a greve dos tripulantes levará ao cancelamento de 1.316 voos e gerará um impacto direto de 48 milhões de euros, segundo um comunicado.

"Com esta nova paralisação serão cancelados 1.316 voos e afetados 156 mil passageiros, o que representa um custo total direto estimado de 48 milhões de euros (29,3 milhões em receitas perdidas e 18,7 milhões em indemnizações aos passageiros)", destacou a TAP.

A transportadora prevê ainda "perdas de 20 milhões adicionais devido ao impacto potencial nas vendas para outros dias e à sub-optimização de outros voos, com passageiros reacomodados".

Na mesma nota, a companhia destacou que, "como já referido pela CEO [presidente executiva], estava a ser analisada uma recompensa a todos os trabalhadores da TAP, na sequência dos resultados obtidos, e que, brevemente, seria anunciada e que fica agora posta em causa".

Na terça-feira, Christine Ourmières-Widener disse, numa mensagem aos colaboradores, a que a Lusa teve acesso que a TAP ia investir 48 milhões de euros em remunerações aos trabalhadores, "para alívio dos cortes salariais", tendo registado, no ano passado, uma "das maiores receitas da sua história".

Últimas Notícias