Com o próximo Orçamento do Estado, as famílias deverão pagar menos IRS. O valor do imposto depende sempre do rendimento: quanto mais se ganha ao final do mês, mais se paga. É por isso que os salários mais altos são os que mais vão sentir a diferença com as mexidas no imposto em 2026.
Por exemplo, um solteiro sem filhos com um rendimento bruto de 1200 euros por mês só tem uma poupança de 32 euros no final do ano. Mas alguém exatamente nas mesmas condições, mas com um salário mensal de 2500 euros, terá arrecadado, no final de 2026, mais 229 euros do que este ano.
Isto acontece porque os escalões vão ser atualizados em 3,5%. Há ainda uma redução adicional das taxas, do 2.º ao 5.º escalão, que terá impacto também nos escalões mais acima.
"É um acompanhamento ao custo de vida”, explica Sérgio Cardoso, do Doutor Finanças. “No entanto, o impacto real no orçamento acaba por ser curto. No limite, esta medida faz com que as pessoas não fiquem piores do que aquilo que estavam."
"Medidas não são suficientes"
As simulações feitas pela consultora PwC Portugal para a SIC mostram como a redução do imposto pode ter mais impacto para as famílias.
Veja-se outro exemplo: uma pessoa casada com dois filhos, que além de deduzir as despesas gerais e familiares deduz despesas com os dependentes, se tiver um rendimento mais baixo, na ordem dos 1200 euros brutos por mês, consegue mais 63 euros por ano. Já se o rendimento for superior, na ordem dos 1800 euros, o imposto a pagar no próximo ano cai mais de 200 euros.
No caso de uma família em que os salários são bem mais altos, como, por exemplo, um casado com dois filhos e que recebe mais de 3700 euros por mês, a diferença é bem mais significativa. Consegue poupar 568 euros. Isto se o custo de vida não subir muito.
"Estas medidas são positivas, mas não são suficientes. As pessoas têm de fazer o seu trabalho, têm de se informar. Há imensa informação online sobre como podem aplicar as suas poupanças", declara Sérgio Cardoso.
A redução das taxas de IRS é uma das medidas que deverá constar do Orçamento do Estado para o próximo ano, que chega ao Parlamento na sexta-feira. Sem grandes novidades, nem medidas potencialmente polémicas, para tornar mais fácil a aprovação.