À conquista de Marte

Sonda dos Emirados ganha a "corrida a Marte"

A primeira missão espacial árabe, a sonda "Al-Amal/Hope/Esperança" dos Emirados Árabes Unidos, é a primeira de três sondas lançadas em julho a alcançar a órbita de Marte, a parte mais crítica de toda a viagem. Menos de sete meses depois do seu lançamento a 21 de julho de 2020, a sonda terminou a viagem de quase 5 milhões de quilómetros e entra na órbita a 9 de fevereiro de 2021.

Alexander McNabb / AP

É a primeira das três sondas lançadas em julho a chegar.

A primeira missão espacial árabe, a sonda "Al-Amal/Hope/Esperança" dos Emirados Árabes Unidos, é a primeira de três sondas lançadas em julho a alcançar a órbita de Marte, a parte mais crítica de toda a viagem.

Menos de sete meses depois do seu lançamento a 21 de julho de 2020 a partir da base Tanegashima, no Japão, após dois adiamentos por causa do mau tempo, a sonda dos Emirados terminou a viagem de quase 5 milhões de quilómetros e entra na órbita de Marte esta terça-feira, 9 de fevereiro de 2021.

É um feito histórico - a missão cumpriu os prazos, não derrapou o orçamento e foi desenvolvida em seis anos, quando normalmente estes programas constumam demorar 10 anos a desenvolver.

Os Emirados Árabes Unidos entram assim no clube restrito dos países que já estão na "corrida à conquista de Marte". Apenas os EUA, a ex-União Soviética, a Agência Espacial Europeia e a Índia colocaram com sucesso sondas no planeta ou na sua órbita. A China enviou também o primeiro robô, podendo tornar-se o sexto país a conquistar Marte dentro de poucos dias.

Obstáculos ultrapassados para entrar na órbita de Marte

Além do lançamento da sonda que acarreta uma série de riscos, a entrada em órbita do Planeta Vermelho também não é isenta de obstáculos.

O aparelho tem de reduzir a velocidade de 121 mil km/h para apenas 18 mil km/h em 27 minutos - a manobra Mars Orbit Insertion (MOI) para ser capturado pela órbita de Marte e em que é consumido 50% do combustível para ficar a "apenas" a 1.441 km de distância da superfície do planeta.

A partir daqui e até abril, a sonda Esperança iniciará a sua órbita elíptica de 20 mil a 43 mil quilómetros, completando uma volta ao planeta a cada 55 horas. A missão deverá ficar completa no final de um ano marciano - 687 dias na Terra.

https://www.emiratesmarsmission.ae/

Objetivo não é pousar em Marte

Ao contrário das sondas da NASA e da China lançadas quase ao mesmo tempo, a sonda árabe não vai pousar em solo marciano.

Irá manter-se na órbita de Marte e estudar a atmosfera e a meteorologia do planeta. Com os três instrumentos instalados a bordo, irá medir a baixa atmosfera, analisar a temperatura e fornecer informações sobre os níveis de ozono, oxigénio e hidrogénio.

Com os dados recolhidos, os cientistas querem entender melhor o nosso próprio planeta e outros no universo.

Primeiro passo para uma colónia em Marte

Mas os Emirados querem abrir caminho para um objetivo ainda mais ambicioso: a construção de uma colónia humana em Marte nos próximos 100 anos.

Um dos emirados, o Dubai, já contratou arquitetos, engenheiros, desiners e cientistas para imaginarem como será essa colónia marciana e o projeto vai ser criado no deserto. A "Cidade da Ciência de Marte" vai custar, no mínimo 500 milhões de dirhams - mais de 120 milhões de euros.

Duas outras sondas "perseguem" a Al-Amal

No trajeto que separa a Terra de Marte, a sonda árabe não está sozinha. Logo atrás seguem-na a sonda chinesa Tianwen-1 e a sonda da NASA com o seu robô Perserverence que vai recolher amostras do solo marciano

A primeira imagem de Marte tirada pela sonda chinesa Tianwen-1

A primeira imagem de Marte tirada pela sonda chinesa Tianwen-1

Tianwen-1

60 anos de êxitos e fracassos na conquista de Marte

Breve cronologia das dezenas de missões desde os anos 1960 dirigidas pela União Soviética, depois pela Rússia, pelos Estados Unidos, pela Europa e, agora, pela China e pelos Emirados Árabes Unidos.