Abusos na Igreja Católica

Alta figura da Igreja em França confessa que abusou de adolescente

O cardeal francês, Jean-Pierre Ricard
O cardeal francês, Jean-Pierre Ricard
ANDREW MEDICHINI

Cardeal Jean-Pierre Ricard mostrou-se disponível a colaborar com a Justiça. Abuso terá ocorrido há 35 anos.

O cardeal Jean-Pierre Ricard, um dos mais altos clérigos da Igreja Católica em França, confessou esta segunda-feira que abusou sexualmente de uma adolescente de 14 anos na década de 1980.

"Há 35 anos, quando era padre, comportei-me de forma condenável com uma jovem de 14 anos", disse Ricard num comunicado.

O anúncio do cardeal surge depois de um relatório ter revelado um grande número de casos de abuso sexual infantil na Igreja Católica Francesa.

"O meu comportamento provocou danos sérios e duradouros nessa pessoa", referiu.

Ricard, de 78 anos, foi arcebispo de Bordéus, no sudoeste de França, até se reformar em 2019 para servir na sua diocese natal de Dignes-les-Bains (sul). Nos anos de 1980, foi sacerdote na arquidiocese de Marselha.

O cardeal disse que conversou com a vítima e pediu desculpa, mas sem especificar quando. No texto hoje divulgado, Ricard afirmou ainda que estava também a pedir desculpa a todos aqueles que magoou.

No entanto, Ricard salientou que decidiu "não ficar mais calado sobre a [sua] situação", mostrando-se disponível para colaborar com a justiça francesa e com as autoridades eclesiásticas.

Onze bispos ou ex-bispos foram indiciados pela justiça civil francesa ou pela justiça da Igreja por abusos sexuais, anunciou hoje o presidente da Conferência dos Bispos da França (CEF), Eric de Moulins-Beaufort, numa conferência de imprensa em Lourdes, região do sudoeste de França que alberga um importante local de peregrinação católica.

Os 120 membros da CEF estão reunidos desde quinta-feira em Lourdes para a sua assembleia plenária de outono.

O objetivo é, entre outras coisas, desenvolver "propostas concretas" para melhorar a comunicação e transparência das medidas canónicas tomadas contra clérigos envolvidos em casos de abusos sexuais.

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