O cabo que se partiu na tarde de 3 de setembro em Lisboa era constituído por seis cordões de 36 arames de aço, com alma em fibra, um diâmetro de 32 milímetros e aguentaria uma carga de aproximadamente 68 toneladas.
As características técnicas do cabo de tração do Elevador da Glória estão minuciosamente descritas no relatório preliminar divulgado pelo Gabinete de Investigação dias depois do acidente.
Nesse documento está escrito que "este tipo de cabo é usado no ascensor há cerca de seis anos" e, há seis anos, o presidente da Câmara de Lisboa era o socialista Fernando Medina. Acontece que no relatório divulgado segunda-feira passada, consta uma informação diferente.
O documento corrige a data de aquisição do cabo e diz que o processo teve início em março de 2022 e, nesta data, comandava a autarquia o social-democrata Carlos Moedas.
O jornal Expresso destaca esta discrepância de datas e pediu explicações ao GPIAAF. O Gabinete de Investigação ao acidente alega que, inicialmente, se baseou em "elementos documentais e testemunhais", mas teve de corrigir essa informação com base nas "extensas evidências" recolhidas desde então.
Entretanto, a administração demissionária da Carris enviou um comunicado a dizer que não deu qualquer informação errada ao GPIAAF e que o conselho de administração da empresa não foi inquirido no âmbito desta investigação.
Contactado pela SIC, o gabinete de Carlos Moedas remete para o comunicado da Carris. Fica por explicar de onde surgiu a informação errada que consta do relatório inicial.
