O presidente da Carris, Pedro de Brito Bogas, apresentou esta quarta-feira a renúncia ao cargo, após reunião com o presidente da Câmara Municipal de Lisboa (CML), Carlos Moedas.
O pedido de renúncia, aceite por Carlos Moedas, é “extensível a todos os restantes elementos do Conselho de Administração da empresa”.
Em comunicado, a Carris afirma que presidente da CML "destaca a forma profissional e corajosa com que no momento mais duro do mandato, na sequência do trágico acidente do Elevador da Glória, o atual Conselho de Administração defendeu os interesses da empresa e, apesar de terem colocado o lugar à disposição desde a primeira hora, aceitaram manter-se em funções".
A administração, presidida por Pedro Bogas, manter-se-á em funções, "dentro dos prazos e limites legais, até à escolha de um novo Presidente e Conselho de Administração da Carris".
Ainda que o comunicado saliente que Carlos Moedas elogiou a administração no pós-tragédia do Elevador da Glória, o pedido de renúncia acontece depois de o presidente da CML ter decidido que não a reconduziria. Isto logo após ter tido conhecimento das conclusões preliminares do relatório do GPIAAF sobre o acidente.
Face às conclusões preliminares do relatório, que revelaram um "conjunto de falhas técnicas bastante graves", fonte próxima de Moedas indicou à SIC que o autarca procura agora "recuperar o mais depressa possível a confiança e credibilidade da empresa".
Mandato de Pedro Bogas terminava no final do ano
O atual mandato, presidido por Pedro Bogas, foi viabilizado pelo PS em maio de 2022. De acordo com os estatutos da Carris, o mandato dos titulares dos órgãos sociais da empresa é coincidente com o dos titulares dos órgãos autárquicos do município de Lisboa, pelo que terminava no final deste ano.
Antes de Pedro Bogas tomar posse, era Tiago Farias que exercia funções de presidente da Carris desde 2016, altura em que a Câmara de Lisboa assumiu a gestão da rodoviária (o acordo foi assinado entre o Ministério do Ambiente e a Câmara Municipal de Lisboa em novembro de 2016, passando a gestão da empresa a ser responsabilidade da autarquia).
Após relatório, Carris alegou que "inconformidades" no cabo ocorreram na administração anterior
Depois de ter sido conhecido o relatório preliminar do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF), a Carris emitiu um comunicado em que dizia desconhecer "toda a factualidade" referente aos pontos que dizem respeito ao facto de o cabo não estar certificado para transporte de pessoas e à zona onde o cabo rompeu não ser passível de inspeção visual sem desmontagem, respetivamente.
Nessa mesma nota, afirma que as "alegadas inconformidades que condicionaram todo o processo de substituição dos cabos" tinham acontecido no "mandato anterior ao do presente Conselho de Administração" e, por isso, desconhecia as desconformidades. Revela ainda que está em curso uma auditoria externa independente às causas do acidente. À SIC, o advogado da empresa que faz a manutenção promete reagir ao relatório esta semana.
No que respeita ao processo de aquisição do cabo - que não estava em conformidade com o que era suposto - este iniciou-se em março de 2022 "quando estavam em curso trabalhos de remotorização do elevador de Santa Justa”. No dia 17 desse mês, a Direção de Manutenção do Modo Eléctrico (DME) da CCFL constatou a inexistência em armazém dos cabos necessários para esse trabalho “e sinaliza a necessidade da sua compra urgente à Direção de Logística e Património (DLP) da empresa”. O processo desenrolou-se a partir desse momento.
Apesar de este processo ter sido iniciado cerca de dois meses antes da tomada de posse de Pedro Bogas, os cabos que não estavam em conformidade com o que era recomendado, e que eram diferentes daqueles que eram utilizados até então, só entrariam em operação a 20 de dezembro de 2022, já no mandato de Bogas, operando durante 601 dias até 26 de agosto. O segundo, igual ao anterior, entrou em operação no dia 1 de outubro de 2024. Durou 337 dias, até ao dia do acidente.


