Afeganistão

Afeganistão. ONU pede a suspensão da deportação de afegãos requerentes de asilo

Apesar de os talibã tentarem passar uma imagem de mudança, milhares de mulheres e raparigas foram obrigadas a casar com combatentes e transformadas escravas sexuais.

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A tomada de poder do Afeganistão pelos talibã está a levar milhares de pessoas a fugir do país. As Nações Unidas pedem a suspensão da deportação de requerentes de asilo afegãos, mas há países que recusam acolher os que fogem da brutalidade dos talibã. A Turquia, por exemplo, começou a construir um muro na fronteira com o Irão para impedir a entrada de refugiados afegãos no país.

Na memória coletiva dos afegãos estão os castigos medievais – como os apedrejamentos, amputações e execuções públicas – que os talibã costumam aplicar. Estão também os casamentos forçados, as violações e a escravidão sexual de mulheres e crianças, algumas com apenas 12 anos.

O grupo tenta passar a mensagem de que mudou: numa entrevista televisiva, um representante dos talibã prometeu mesmo chamar mulheres para o Governo e anunciou que teriam direito a uma “aministia” – como se tivesse cometido um crime coletivamente.

Enquanto isso, há relatos de milhares de mulheres e raparigas que foram obrigadas a casar com combatentes e que se tornaram escravas sexuais. Sabe-se que o grupo tem listas de ativistas de direitos humanos, jornalistas, intérpretes que colaboraram com forças estrangeiras e mulheres que exerceram cargos políticos.

Zarifa Ghafari, a mais jovem presidente de câmara de uma província afegã, deixava, esta segunda-feira, um lamento desesperado nas redes socais. Dizia que estava à espera que os talibã chegassem para a matar.

Perante a crise humanitária em curso, Malala Yousafzai, a jovem ativista paquistanesa que em 2012 sobreviveu a um ataque talibã no qual foi baleada na cabeça e que foi galardoada com o Nobel da Paz, lembra que em momentos como este, todos os países têm um papel e uma responsabilidade.

A Agência das Nações Unidas para os Refugiados diz estar profundamente preocupada com a segurança de milhares de afegãos que trabalharam em questões de direitos humanos. A ONU pede a suspensão da deportação de cidadãos afegãos, incluindo os requerentes de asilo cujos pedidos tenham sido rejeitados.

A Áustria é um dos países que recusou o pedido, sugerindo a criação de “centros de deportação” nos países vizinhos – como o Paquistão ou o Irão, onde estão já perto de três milhões de refugiados afegãos. Também a Turquia está a construir um muro de 64km na fronteira com o Irão para travar a entrada dos que fogem da brutalidade afegã. A obra deverá estar pronta até ao final do ano.

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