Ataques em Paris

Correspondente SIC

Dez anos depois dos atentados de Paris, o tempo não reparou o que o terrorismo roubou

Foi há 10 anos que Paris foi alvo de um sangrento ataque terrorista. Fundamentalistas islâmicos espalharam o terror desde o Estádio Nacional de França à sala de espetáculos Bataclan. Apenas numa noite, 132 pessoas morreram. Duas das vítimas eram portuguesas.

Atentados em Paris
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Jogava já a seleção francesa com a alemã quando se ouviu uma explosão. No exterior do Estádio de França, um bombista suicida fez-se explodir junto a Manuel Dias, o taxista que tinha acabado de deixar adeptos aqui, onde 10 anos depois está o memorial que a filha do português vem visitar frequentemente.

“Na altura, estava a preparar o meu casamento, no Algarve. Horas antes tinha falado com o meu pai. De repente, ter ficado sem o meu pai foi muito difícil”, diz Sophie Dias, que tinha 33 anos. Em homenagem ao pai, manteve o casamento, como planeado. "Ele já tinha aprovado tudo", lembra.

Daí por diante, Sophie Dias tem tentado aprender a lidar com as memorias traumatizantes da noite e das horas seguintes ao ataque.

"A falta de um pai é constante. É de manhã, é de noite, é sempre."

Terroristas atacaram em 6 pontos diferentes

Esta é uma dor que dilacera muitas famílias, já que, imediatamente a seguir à morte de Manuel Dias, os terroristas usaram armas de guerra para dispararem contra esplanadas, em pleno centro de Paris.

E mais tarde, os fundamentalistas islâmicos entraram na sala de espetáculos Bataclan, onde mais de mil pessoas assistiam a um concerto de rock. 90 pessoas morreram fuziladas.

Uma década depois, Patrícia Correia ainda tem um memorial à porta de casa para recordar a filha única, a franco-portuguesa Precília Correia, que morreu aos 35 anos ao lado do companheiro.

“Eu estava em Portugal quando vi os atentados. Eu devia voltar no dia seguinte de manhã, como previsto. Eu tentei ligar à minha filha e nunca consegui falar com ela. Foi no outro dia de manhã que soube que o seu corpo estava no instituto de medicina legal”, recorda Patrícia.

“Há quem não consiga reerguer-se”

Depois da partida da filha, o ex-marido de Patrícia Correia nunca mais se reergueu.

“É muito duro. Há quem não se consiga reerguer-se. Eu já não estava com o pai da minha filha há algum tempo. Três anos depois do ataque, ele não sobreviveu. (…) Conheço outros pais que foram diagnosticados com doenças muito graves. Já não estão cá também.”

Seja uma filha ou um pai, o tempo não veio reparar o que o terrorismo roubou.