Ataques no Sri Lanka

Atentados no Sri Lanka cometidos em represália pelos ataques na Nova Zelândia

Edgar Su

Duas mesquitas foram atacadas em Christchurch a 15 de março.

Os primeiros indícios da investigação sobre os atentados de domingo no Sri Lanka mostram que foram realizados em represália pelos ataques às mesquitas em Christchurch, na Nova Zelândia, disse hoje o vice-ministro da Defesa cingalês.

"As investigações preliminares revelaram que o que se passou no Sri Lanka foram (atos) cometidos em represália aos ataques aos muçulmanos de Christchurch", disse Ruwan Wijewardene ao Parlamento cingalês.

O vice-ministro referia-se ao ataque que, a 15 de março, fez 50 mortos em duas mesquitas na cidade no sul da Nova Zelândia.

De acordo com as conclusões preliminares da investigação, o grupo local nacional Thowheeth Jama'ath (NTJ), acusado pelas autoridades cingalesas de estar por detrás dos ataques, está ligado a um grupo islâmico radical pouco conhecido na Índia, segundo Wijewardene.

"Já foi revelado que este grupo National Thowheeth Jama'ath, que cometeu os ataques (no Sri Lanka), tem ligações estreitas com o JMI", disse Wijewardene, aparentemente referindo-se a um grupo conhecido como Jamaat-ul-Mujahideen India.

De acordo com a imprensa, o JMI foi criado no ano passado e é um afiliado do grupo de mesmo nome do Bangladesh (Jamaat-ul-Mujahideen Bangladesh).

O ministro acrescentou que o Sri Lanka beneficiou da ajuda internacional para a investigação, sem dar mais detalhes.

As oito explosões de domingo mataram, pelo menos, 310 pessoas, entre as quais um português residente em Viseu, e provocaram mais de 500 feridos.

O número de pessoas detidas relacionadas com os ataques também aumentou para 40, disse à agência Efe o porta-voz da polícia Ruwan Gunasekera.
A capital do país, Colombo, foi alvo de pelo menos cinco explosões: em quatro hotéis de luxo e uma igreja.

Duas outras igrejas foram também alvo de explosões, uma em Negombo, a norte da capital e onde há uma forte presença católica, e outra no leste do país.

A oitava e última explosão teve lugar num complexo de vivendas na zona de Dermatagoda.

As primeiras seis explosões ocorreram "quase em simultâneo", pelas 08:45 de domingo (03:15 em Lisboa), de acordo com fontes policiais citadas por agências internacionais.

Lusa