Eleições Autárquicas

Eleições Autárquicas: o debate de Faro

Os candidatos autárquicos a Faro discutem os desafios e soluções para o município algarvio. Cristóvão Norte, da coligação PSD/CDS/IL/MPT/PAN, António Pina, do PS, Pedro Pinto, do Chega, Duarte Baltazar, da CDU, e José Moreira, do BE, foram os protagonistas do debate desta noite na antena da SIC Notícias.

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Desde 2009 nas mãos do PSD e com o presidente em funções impedido de se recandidatar por atingir o limite de mandatos, a Câmara de Faro é alvo de uma disputa intensa entre todas as forças partidárias. Esta sexta-feira, os candidatos à autarquia de Faro estão em debate na SIC Notícias.

Cristóvão Norte, da coligação PSD/CDS/IL/MPT/PAN, António Pina, do PS, Pedro Pinto, do Chega, Duarte Baltazar, da CDU, e José Moreira, do BE, estiveram na SIC Notícias para debater questões como o turismo, a falta de habitação e a segurança em Faro, no caminho para as eleições autárquicas de 12 de outubro.

Economia e Turismo

Coube a Cristóvão Norte, o candidato da coligação PSD/CDS/IL/MPT/PAN - e que representa as cores do executivo municipal atualmente no poder - abrir o debate. O social-democrata defende que os recursos de Faro têm de ser aproveitados de modo a diversificar a base económica. Apesar de considerar que o turismo deve continuar a crescer, defende que Faro não pode ser só para os turistas.

Também António Pina, do PS – que chega a esta corrida eleitoral em Faro ainda enquanto autarca de Olhão - acredita que importa ter mais do que só turismo. Fala, por isso, da importância da Universidade do Algarve para a dinamização de conhecimento e investimento tecnológico e assume querer atrair empresas que criem emprego na região, para que os farenses não tenham de se ir embora.

Pedro Pinto, do Chega, traz para esta campanha o slogan “tornar Faro grande outra vez”, uma referência direta ao lema da campanha presidencial de Trump, nos Estados Unidos. Diz que Faro já foi grande nos anos 80 e 90”, e que agora já não é - pelo que, aponta, é preciso apostar ainda mais nas potencialidades turísticas da cidade. Quer que grandes unidades hoteleiras invistam no concelho e que este seja uma zona turística para todos os meses do ano (e não somente para o verão). Afirma que, se houver mais turismo, também será bom para os farenses.

Por sua vez, Duarte Baltazar, da CDU, admite que se deve atrair empresas para a região, mas não à custa de baixos salários e trabalho precário - que é, defende, aquilo em que assenta o setor do turismo no Algarve. O candidato da CDU pensa que, além do turismo, se deve investir na pesca e agricultura, para potenciar a economia em Faro.

José Moreira, do Bloco de Esquerda, afirma que o turismo não é um bem absoluto para Faro e concorda que só tem promovido a mão-de-obra barata no concelho. Mais: tem também sido fonte de problemas de habitação. um conflito entre os farenses e o turismo de massas”, aponta. A solução para reter os farenses em Faro, refere, é dar-lhes melhore salários e casas para viver.

Habitação

E foi precisamente no tema da Habitação que o debate mergulhou de seguida. Cristóvão Norte, da coligação PSD/CDS/IL/MPT/PAN, quer construir 300 casas a custos controlados e 500 casas para habitação social. Admite que a ideia pode não resolver o problema da habitação, mas assegura que, pelo menos, é uma medida “concretizável”.

António Pina, do PS, lança-se na promessa de construir mil casas e reabilitar 400 para habitação social.

Pedro Pinto, do Chega, está mais interessado em aproveitar as habitações devolutas que existem em Faro – apesar de dizer que ninguém sabe quantas são -, em vez de anunciar já construção.

Duarte Baltazar, da CDU, deixa críticas às políticas de alojamento dos anteriores executivos, alegando que nada foi feito. A CDU exige que seja o Governo a garantir habitação, porque não devem ser as autarquias a assumir responsabilidades que são do Estado central. O candidato afirma também que estão vagas em Faro mais de 4500 casas e sugere que a autarquia arrende estas habitações aos proprietários para depois subarrendá-las à população.

Quanto a José Moreira, do BE, considera que o mercado só dá resposta à habitação do luxo e que as famílias de classe média ficam para trás. Defende que se estimule a habitação cooperativa, mas que é também preciso um programa de apoio ao arrendamento.

Espaço público, ordem e segurança

No tema final do debate, e apesar de erguer as cores da atual câmara, Cristóvão Norte, da coligação PSD/CDS/IL/MPT/PAN, admitiu que é preciso reconhecer quando há coisas que não estão bem - apontando o espaço público como exemplo. Quer, por isso, tratar da calçada e remover viaturas abandonadas das ruas, por exemplo. Tudo para tornar o espaço público digno.

António Pina, do PS, pretende criar um grande espaço urbano – com complexo desportivo e valorização ambiental. Promete ainda construir salas de aula em falta e subsidiar as famílias que não conseguem vaga nos jardins de infância do serviço público.

Pedro Pinto, do Chega, esta mais preocupado com a segurança nas ruas de Faro e, por isso, quer colocar guardas noturnos nas ruas. Adotando um discurso anti-imigração, o candidato declarou-se mesmo contra a construção de mesquitas em Faro (ao contrário de igrejas católicas) - e entrou num bate-boca com o candidato do Bloco de Esquerda, que o acusou de fazer propostas inconstitucionais.

Oportunidade para Duarte Baltazar, da CDU, afirmar que o debate parecia “um recreio da escola primária”, censurando o comportamento dos restantes candidatos. Para a CDU, a segurança não é prioridade em Faro. “O Pedro Pinto acha que vai para uma cidade do faroeste selvagem e que ele é o xerife", atirou. O candidato da CDU está mais focado em cuidar do espaço público, que, diz, nesta altura, “envergonha os farenses”.

Finalmente, José Moreira, do BE, concorda que o espaço público da cidade se encontra bastante degradado. Considera que melhorá-lo não implica uma grande despesa orçamental da câmara, mas, sim, trabalhar em proximidade com os habitantes.