Ricardo Costa acredita que em eleições autárquicas, as pessoas fazem um “misto de voto ideológico, com muito voto em relação às pessoas, sobretudo às pessoas que conhecem, mas também aos autarcas que se querem ver livres”. Por isso, diz, a ideia de que pode haver uma “transição direta” entre os resultados das legislativas para as autárquicas vai “cair por terra".
“Começando pelo Chega é interessante ver, e são obviamente boas votações, mas a votação que Rita Matias ali tem não pode ficar perto do que o Chega podia ter porque achava que ia disputar Sintra. Como achava que ia disputar Faro e isso não está a acontecer”.
Nas legislativas, o Chega ganhou em 60 concelhos em Portugal. A meta inicial de André Ventura era ganhar em pelo menos metade, cerca de 30, para Ricardo Costa o resultado agora será bem abaixo disso. “Ter 10 ou 12 câmaras é extremamente importante. Serão, sobretudo, no distrito de Setúbal, no Algarve, no Alentejo e um pouco no Ribatejo”.
E isso é importante, explica Ricardo Costa, porque “vai liderar câmaras e isso é muito importante - e se ultrapassar o PCP é um dado muito relevante - e porque eu acho que o tema das linhas vermelhas, na maior parte das autarquias não se vai levantar porque não é exequível”.
“Eu acho que o Chega hoje pode ter uma votação simpática e boa, claramente abaixo das que teve nas legislativas, mas eu acho que vai falhar os seus principais alvos em termos de grandes concelhos.”
Também Bernardo Ferrão acredita que neste momento - em que os resultados começam a ser divulgados - o Chega não tem “propriamente uma explosão” como era esperado por André Ventura.
“Ver concelhos como Sintra, onde Rita Matias tem um bom resultado, mas não é um resultado explosivo como ela prometia. Pode ter entre dois e quatro mandatos, fica bem abaixo, por exemplo, de Marco Almeida e Ana Mendes Godinho. E o mesmo se passa em Lisboa e em outros conselhos como Setúbal e Faro”.
“Eu não sei se o Chega vai deixar de crescer”, diz Bernardo Ferrão, explicando que acredita é que “perante o que foi sendo dito, o que se percebe é que ainda não é desta que o Chega vai ter esse crescimento. Até se falou de uma grande implementação em todo o território e não me parece que isso vá acontecer ou não está para acontecer ainda nestas eleições autárquicas”.
No entanto, diz, “é preciso ter atenção a concelhos como Sesimbra, Moita, Montijo, Monforte, Elvas onde André Ventura apostou forte e pode acontecer o Chega presidir ou ter um bom resultado de modo a causar algum embaraço, alguma mossa, na gestão camarária”.
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