Sebastião Bugalho, eurodeputado do PSD, não tem dúvidas: o Chega vai aumentar a sua representatividade nas Câmaras Municipais de todo o país. Na antena da SIC Notícias, o social-democrata recorda que, há quatro anos, o partido liderado por André Ventura já tinha ultrapassado partidos históricos, nomeadamente o Bloco de Esquerda.
Na passada semana, Pedro Passo Coelho, ex-primeiro-ministro social-democrata, afirmou que não deveria haver linhas vermelhas com o Chega para o PSD, declarações que Luís Montenegro considerou não serem mais do que "ruído".
Algumas das principais câmaras do país correm o risco de ficar paralisadas devido a eventuais empates entre partidos. Para já, Sebastião Bugalho recusa antecipar cenários porque "não sabendo resultados não sabemos a relação de forças entre partidos dentro das Câmaras Municipais":
"Não só os equilíbrios vão ser diferentes nas câmaras como a predisposição de cada presidente pode ser diferente para fazer entendimentos com partido ou cada força política, como também às se socorrem de relações pessoais. Tenho a certeza de que há presidentes de câmara do PS que preferiam entender-se com o PSD e outros que preferiam entender-se com a CDU."
Nota ainda que, nas últimas autárquicas, o Chega elegeu 19 "membros de corpos municipais", 11 dos quais "acabaram por sair ou por perder a ligação" ao partido. Lembra também que, há quatro anos, o partido de André Ventura conseguiu quatro vezes, em número de votos, o resultado do PAN, altura em que o Partido dos Animais e da Natureza "tinha quatro vezes o número de deputados".
"O Chega já tinha uma expressão eleitoral brutal do ponto de vista local há quatro anos. Tinha mais 70 mil votos do que o Bloco de Esquerda quando tinha menos 20 anos de existência. Este crescimento do Chega vai ser um dos factos políticos da noite", aponta antes de frisar que, ainda assim, isso poderá não se traduzir na conquista de uma autarquia.
Tal como se verificou nos últimos quatro anos, acrescenta, vereadores serem eleitos pelo Chega "não é garantia" de que continuem no partido.
"Aí sim, poderá facilitar maiorias com os presidentes de câmara que precisarem desses vereadores, especialmente se saírem do Chega, que foi o que aconteceu nos últimos quatro anos", remata.