Na véspera da Cimeira do Clima no Brasil, as presidências da COP29 e da COP30 anunciaram um plano ambicioso para mobilizar 1,3 biliões de dólares anuais em financiamento climático até 2035. O objetivo é garantir meios reais para que os países em desenvolvimento possam cumprir as metas do Acordo de Paris.
O documento, apresentado em comunicado conjunto, define cinco áreas prioritárias até 2030: reabastecimento de subsídios e capital de baixo custo; sustentabilidade da dívida; mobilização de financiamento privado; reestruturação de capacidades para portfólios climáticos de larga escala; e criação de sistemas financeiros mais equitativos.
“Precisamos agir - e o momento é agora. Os compromissos climáticos para 2030 e 2035 nos oferecem uma oportunidade rara de transformar promessas em desenvolvimento real e sustentável - protegendo o planeta, gerando empregos, fortalecendo comunidades e garantindo prosperidade para todos", afirmou Mukhtar Babayev, presidente da COP29.
Já o embaixador brasileiro André Corrêa do Lago, que presidirá à COP30 em 2025, destacou que esta iniciativa marca “o início de uma era de transparência no financiamento climático”.
“Os recursos existem. A ciência é clara. O imperativo moral é inegável. O que resta é a determinação", sublinha o relatório conjunto.
Marina Silva: “Não há mais tempo a perder”
A ministra do Ambiente do Brasil, Marina Silva, reforçou o apelo à ação imediata, lembrando que há três décadas se discutem promessas sem resultados concretos.
"Há 30 anos que se debate, só que agora não tem mais o que protelar. A COP30 [30.ª conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas] tem o desafio de ser um novo marco referencial para a agenda do clima. A partir de agora é a implementação", afirmou, durante o Fórum de Líderes Locais no Rio de Janeiro.
Marina Silva sublinhou a urgência de cumprir os compromissos financeiros assumidos pelos países desenvolvidos - nomeadamente os 300 mil milhões de dólares anuais prometidos - para que as nações em desenvolvimento consigam adaptar-se e reduzir emissões.
"Precisamos dos recursos. Os compromissos assumidos têm de ser cumpridos para que não percamos a credibilidade" , alertou.
Lula lança fundo global para proteger florestas tropicais
Paralelamente, o Presidente Lula da Silva anunciou em Belém a criação da Facilidade de Financiamento das Florestas Tropicais (TFFF), um fundo inédito que visa preservar as principais florestas do planeta.
O fundo já reúne mais de 5 mil milhões de dólares em promessas. O Brasil comprometeu-se com 1 milhar de milhões, valor idêntico ao anunciado pela Indonésia. A Noruega poderá contribuir com 3 mil milhões, e a França prometeu 500 milhões de euros até 2030. O Portugal participa com um milhão de euros.
O modelo do fundo é inovador: os montantes investidos serão aplicados em mercados financeiros, e os lucros servirão para pagar aos países em desenvolvimento por cada hectare de floresta preservada.
“O que foi anunciado hoje já ultrapassa metade da meta para o final do próximo ano”, celebrou o ministro das Finanças brasileiro, Fernando Haddad, descrevendo o momento como “histórico”.
Cimeira do Clima em Belém
A Cimeira do Clima, que decorre esta semana no Brasil, reúne delegações de 143 países, cerca de um terço chefiadas pelos respetivos líderes. Entre as presenças confirmadas estão o Presidente francês Emmanuel Macron, o primeiro-ministro britânico Keir Starmer, a presidente da Comissão Europeia Ursula von der Leyen, e o primeiro-ministro português Luís Montenegro.
Os líderes dos três países mais poluidores - China, Estados Unidos e Índia - estarão ausentes.
A 30.ª Conferência das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas (COP30), que terá lugar entre 10 e 21 de novembro de 2025 na cidade amazónica de Belém, deverá ser o momento de lançar novas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDC), 10 anos depois do Acordo de Paris.
Segundo o Programa das Nações Unidas para o Ambiente (UNEP), o planeta caminha para um aquecimento entre 2,3 e 2,5 °C este século, acima da meta de 1,5 °C estabelecida em 2015.
Em 2024, as temperaturas globais atingiram 1,6 °C acima da média pré-industrial, superando pela primeira vez o limite simbólico de 1,5 °C. Os cientistas alertam que cada décima de grau adicional agrava o risco de fenómenos extremos: inundações, secas prolongadas, tempestades mais violentas e incêndios florestais devastadores.
Com agências


