O ministro dos Negócios Estrangeiros informou, esta terça-feira, que chamou o embaixador do Irão a Lisboa para "lhe transmitir de viva voz a condenação veemente (...) da repressão violenta das manifestações", pode ler-se numa publicação na rede social X. Paulo Rangel apelou ainda a que sejam respeitados os direitos dos cidadãos.
A SIC sabe que já foi feito o pedido formal e que o ministro aguarda agora a resposta do embaixador.
Nas redes sociais, o Ministério dos Negócios Estrangeiros diz ainda que Portugal está disponível para reforçar as sanções ao Irão, em concertação com os restantes membros da União Europeia.
Protestos começaram a 28 de dezembro
O Irão está a ser agitado por uma nova vaga de protestos desde 28 de dezembro, iniciada na capital por comerciantes e setores económicos afetados pelo colapso do rial, a moeda iraniana, e pela elevada inflação, alastrando-se depois a dezenas de cidades do país.
A taxa de inflação anual é superior a 42% e, durante o ano passado, o rial perdeu 69% do seu valor face ao dólar, num contexto em que a economia foi fortemente atingida pelas sanções dos Estados Unidos e da ONU devido ao programa nuclear de Teerão.
Os protestos evoluíram rapidamente para apelos diretos à queda do regime.
A repressão das novas manifestações tem sido severa, e as autoridades restringiram o acesso à Internet em todo o país. O Irão vive hoje o quarto dia consecutivo de bloqueio à internet, imposto pelas autoridades para travar a contestação ao regime. Apesar de os cidadãos já conseguirem fazer chamadas telefónicas para o estrangeiro, as redes sociais continuam inacessíveis.
Alto-comissário da ONU para os Direitos Humanos pede fim da repressão
O alto-comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos condenou e exigiu o fim da "repressão dos protestos no Irão, que resultaram em mais de 600 mortos, segundo uma organização não governamental.
"O assassínio de manifestantes pacíficos tem de parar e é inaceitável rotular manifestantes como terroristas para justificar a violência contra eles", lê-se num comunicado do austríaco Volker Türk.
Para Türk, "os iranianos têm direito ao protesto pacífico" e "as suas queixas devem ser ouvidas e atendidas e não devem ser exploradas por ninguém".
O responsável da Organização das Nações Unidas (ONU) pediu às autoridades iranianas para acabarem "imediatamente com todas as formas de violência e de repressão contra manifestantes pacíficos" e para que seja restabelecido "o pleno acesso à internet e aos serviços de telecomunicações".
Com Lusa

