Coronavírus

Ligações marítimas entre Macau e Hong Kong suspensas ou reduzidas devido ao Coronavírus

Bobby Yip

Medidas para reduzir risco de contágio entram em vigor amanhã entre as duas Regiões autónomas da China.

Andy Wong

Suspensas duas ligações marítimas entre Macau e Hong Kong para reduzir risco de contágio

Duas das ligações marítimas entre Macau e Hong Kong vão ser suspensas e as restantes vão sofrer uma redução no número de viagens a partir desta quinta-feira para evitar a propagação do novo coronavírus chinês.

"Em resposta às medidas de prevenção e controlo da propagação do novo tipo de coronavírus aplicadas pelo Governo da Região Administrativa Especial de Hong Kong, a fim de reduzir o risco da propagação do vírus, o Hong Kong Marine Department vai suspender as ligações marítimas entre Kowloon e Tuen Mun em Hong Kong e o Porto Exterior de Macau e a Taipa, a partir da 00:00 do dia 30 de janeiro", pode ler-se no comunicado da Direção dos Serviços de Assuntos Marítimos e de Água de Macau.

A mesma entidade informou que "as ligações marítimas entre Sheung Wan e o Aeroporto Internacional de Hong Kong e o Porto Exterior de Macau e Taipa continuam a funcionar, com redução do número de viagens, de acordo com as necessidades".

A medida foi tomada por tempo indefinido.

A mesma direção apelou "aos cidadãos e turistas para prestarem atenção às informações sobre o ajustamento das viagens marítimas", para "usarem máscaras nos terminais marítimos e durante as viagens", bem como para "prestarem atenção às recentes medidas antiepidémicas", aconselhando que cancelem "as viagens desnecessárias, tendo em conta a segurança e a redução do risco da propagação de doenças".

Todas as ligações ferroviárias entre Hong Kong e a China continental vão ser cortadas a partir de sexta-feira, anunciou na quarta-feira a chefe do Governo daquela região administrativa especial chinesa.

Embora as fronteiras não sejam totalmente fechadas, Carrie Lam adiantou que também o número de voos com partida do continente será reduzido.

No mesmo dia, o Governo de Macau anunciou o prolongamento por dois dias "dos feriados do ano novo chinês" para a função pública, de forma a "evitar a aglomeração de pessoas e diminuir a possibilidade de contágio".

No dia seguinte a ter sido registado no território o sétimo caso importado de infeção com o novo coronavírus (2019-nCoV), a secretária para os Assuntos Sociais e Cultura indicou que as creches públicas vão suspender o serviço a partir de hoje, remetendo o anúncio da reabertura para data posterior.

Ao Ieong U acrescentou que o reinício das aulas vai também ser adiado "mais uma vez", mas a nova data será anunciada "no início de fevereiro".

A secretária apelou às entidades privadas, empresas e creches, para seguirem "as medidas preventivas decretadas pelo Governo" local.

No domingo, o Governo de Macau tinha imposto a obrigatoriedade de apresentação de uma declaração médica para qualquer residente da província de Hubei, para comprovar que a pessoa não está infetada e para isso deve ter passado 14 dias em isolamento e sob acompanhamento médico, em estabelecimentos oficiais.

O número de infeções pelo novo coronavírus na China excedeu o da epidemia da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS) no país entre 2002 e 2003, que matou 774 pessoas em todo o mundo, segundo dados oficiais hoje divulgados.As autoridades de saúde chinesas anunciaram 5.974 casos confirmados de contaminação na China continental, mais 1.400 em relação a terça-feira, e elevaram o número de mortes para 132.

O vírus da SARS tinha infetado 5.327 pessoas no país e causado a morte a 774 pessoas em todo o mundo, dos quais 648 na China, incluindo Hong Kong.

Além do território continental da China, de França e Alemanha, também foram reportados casos de infeção em Macau, Hong Kong, Taiwan, Tailândia, Japão, Coreia do Sul, Estados Unidos, Singapura, Vietname, Nepal, Malásia, Austrália e Canadá.

O novo coronavírus provocou a morte a mais 25 pessoas na província de Hubei, na China, aumentando para 132 o número de mortos no país devido ao surto que começou na cidade de Wuhan.

Vários países já começaram o repatriamento de cidadãos de Wuhan, cidade que foi colocada sob quarentena, na semana passada, com saídas e entradas interditadas pelas autoridades durante um período indefinido, situação que afeta 56 milhões de pessoas.

As autoridades chinesas admitiram que a capacidade de propagação do vírus se reforçou.

As pessoas infetadas podem transmitir a doença durante o período de incubação, que demora entre um dia e duas semanas, sem que o vírus seja detetado.

Os sintomas associados à infeção são mais intensos do que uma gripe e incluem febre, dor, mal-estar geral e dificuldades respiratórias.

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