Coronavírus

OMS considera pandemia "a maior crise sanitária global do nosso tempo"

Denis Balibouse

Diretor-geral da OMS indicou que há agora "mais casos e mortes no resto do mundo do que na China".

Especial Coronavírus

A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou esta segunda-feira que a pandemia de Covid-19 é "a maior crise sanitária global do nosso tempo" e apelou para que sejam realizados testes a todos os casos suspeitos.

Em conferência de imprensa em Genebra, o diretor-geral da OMS indicou que há agora "mais casos e mortes no resto do mundo do que na China".

"Não se consegue combater um incêndio com uma venda nos olhos e não conseguiremos travar esta pandemia se não soubermos quem está infetado", afirmou Tedros Ghebreyesus, reforçando que a mensagem da OMS a todos os países é simples: "Testar, testar, testar".

O diretor daquela agência das Nações Unidas notou que houve "um rápido aumento das medidas de distanciamento social, tais como o fecho de escolas e o cancelamento de provas desportivas e outras concentrações de pessoas".

Contudo, ainda não se viu "progresso suficiente nos testes, identificação de contactos e isolamento", que são "o eixo da resposta" à pandemia.

Ghebreyesus salientou que numa semana se assistiu "a um rápido aumento dos casos de Covid-19" e que o distanciamento social e outras medidas para evitar contactos entre pessoas são úteis, mas a prioridade deve ser testar cada caso suspeito.

As pessoas infetadas podem continuar a contagiar outras mesmo depois de recuperarem, por isso devem continuar em isolamento pelo menos duas semanas após deixarem de ter sintomas, afirmou, referindo-se especialmente aos casos que estão nas suas casas a recuperar da doença.

Nesses casos, indicou ainda, os cuidadores devem ser pessoas que não estejam incluídas nos grupos de risco, como idosos ou pessoas com doenças que possam agravar-se com a Covid-19.

Tanto cuidadores como doentes devem usar máscaras de proteção quando estejam na mesma divisão e a pessoa doente deve usar um quarto e casa de banho separados.

Nos países em que os serviços de saúde que não têm capacidade de resposta para atender a todos os casos, a prioridade deve ser "os doentes mais idosos e os que já tinham problemas de saúde anteriores", recomendou.

O coronavírus responsável pela pandemia da Covid-19 infetou cerca de 170 mil pessoas, das quais 6.850 morreram. Das pessoas infetadas em todo o mundo, mais de 75 mil recuperaram da doença.

O surto começou na China, em dezembro, e espalhou-se por mais de 140 países e territórios, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

Depois da China, que regista a maioria dos casos, a Europa tornou-se o epicentro da pandemia, com mais de 55 mil infetados e pelo menos 2.684 mortos.

A Itália com 2.158 mortos (em 27.980 casos), a Espanha com 297 mortos (8.794 casos) e a França com 127 mortos (5.423 casos) são os países mais afetados na Europa.Face ao avanço da pandemia, vários países adotaram medidas excecionais, incluindo o regime de quarentena e o encerramento de fronteiras.

Portugal registou hoje a primeira morte, anunciou a ministra da Saúde, Marta Temido.

Trata-se de um homem de 80 anos, com "várias patologias associadas" que estava internado há vários dias no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, disse a ministra, que transmitiu as condolências à família e amigos. Há 331 pessoas infetadas até hoje, segundo o boletim diário da Direção-Geral da Saúde (DGS).

Dos casos confirmados, 192 estão a recuperar em casa e 139 estão internados, 18 dos quais em Unidades de Cuidados Intensivos (UCI).O boletim da DGS assinala 2.908 casos suspeitos até hoje, dos quais 374 aguardavam resultado laboratorial.

Das pessoas infetadas em Portugal, três recuperaram. De acordo com o boletim, há 4.592 contactos em vigilância pelas autoridades de saúde.

Atualmente, há 18 cadeias de transmissão ativas em Portugal, mais quatro do que no domingo.

A DGS preparou um dossier sobre o COVID-19, que responde a várias perguntas: