Coronavírus

Os segredos da Coreia do Sul para travar a Covid-19

Kim Kyung Hoon

Até agora as medidas implementadas no país têm tido sucesso.

Especial Coronavírus

A Coreia do Sul regista cerca de 8.000 casos de Covid-19, mas o país é agora apontado como um caso de sucesso na regressão da epidemia, com recurso a meia dúzia de soluções eficazes.

No dia 29 de fevereiro, a Coreia do Sul reportou 909 novos casos, o número mais alto desde a deteção dos primeiros doentes, em meados do mês, mas um conjunto de medidas de contenção e mitigação conseguiu reduzir drasticamente a evolução da pandemia, apresentando 483 novos casos na passada sexta-feira, 367 no sábado e apenas 248 no domingo.

"O segredo primordial esteve no elevado número de testes realizados, muito cedo e em tempo recorde", explicou Tina Park, uma especialista em epidemiologia do Centro Canadiano para a Responsabilidade de Proteção, que vive na Coreia do Sul, numa entrevista à estação televisiva estatal do Canadá.

O Governo da Coreia do Sul instalou 96 centros de triagem, que em poucas semanas conseguiu realizar cerca de 260 mil testes - em algumas alturas conduzindo 15 mil testes por dia - totalmente gratuitos, ao novo coronavírus, com um grau de rigor de 98%.

As autoridades recorreram a 50 postos de testes 'drive-thru', em que os casos suspeitos não precisam sequer de sair do automóvel, para serem triados, recebendo por telemóvel o resultado no espaço de cinco a seis horas.

A partir deste ponto, o Governo usa todas as tecnologias à disposição para rastrear os casos de pessoas infetadas: sistema de GPS, histórico de cartão de crédito, deteção de sinais de telemóvel.

Como complemento aos testes, as autoridades sul-coreanas tomaram medidas draconianas de isolamento social, cancelando todos os eventos que implicassem aglomerados de pessoas, inicialmente, colocando milhares de pessoas encerradas em casa (sob pena de elevadas multas), a seguir, e incentivando as empresas e trabalhadores a recorrerem ao teletrabalho.

O ministro da Saúde da Coreia do Sul, Park Neunghoo, disse na passada semana estar esperançoso de que o pico da pandemia já estivesse ultrapassado, confiando em que estava conseguido o ponto de inflexão, quando o número de novos casos começa a diminuir de forma sustentada.

"Detetar pacientes muito cedo é muito importante e aprendemos lições simples lidando com este vírus que é muito contagioso -- uma vez que surge, espalha-se muito rapidamente e em zonas geográficas muito alargadas", disse Neunghoo, para explicar a chave do aparente sucesso.

"Se detetarmos quem transporta o vírus, podemos conter o vírus", explica o ministro, alertando, contudo, para a possibilidade de haver novos focos de infeção e um retrocesso no combate à pandemia.

O Presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in, fala em fase de estabilização e agradeceu aos cidadãos a disciplina e espírito de sacrifício com que o combate tem sido enfrentado, mas também recorda que o processo está longe de estar terminado.

"É demasiado cedo para estarmos otimistas", disse o Presidente, lembrando que basta um foco de infeção, como o que surgiu numa seita religiosa, na cidade de Daegu, em que 60% dos casos na Coreia do Sul tiveram origem.

"Não estamos a fazer nada de especial. Mas estamos a fazer tudo bem", diz Dale Fisher, professor em Saúde Pública da Universidade Nacional de Singapura, para explicar o segredo do caso da Coreia do Sul.

Fisher salienta, em termos de estratégia governamental, o apoio a quem fica em teletrabalho, com o Estado a providenciar salários de cerca de 90 euros diários a quem trabalha por conta própria e com generosos apoios às empresas mais afetadas pelo 'shut down' do país.

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