Coronavírus

Por estes dias #dia3

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Temos a palavra

Especial Coronavírus

Marcelo decretou a emergência.

Nada que não fosse previsível.

Já dei a minha opinião.

Entendo a decisão de quem nos governa, tomada com ponderação e com o sentido de Estado que o momento exige.

O Governo tem, agora, poderes amplos para tomar decisões.

A democracia não está suspensa, como disse Marcelo, é a democracia a tentar travar a pandemia.

Estamos confinados, em casa, a aprender novas rotinas nesta estranha forma de vida.

Que começa hoje e não sabemos quando acaba.

Temos medo, angústia e ansiedade;

Temos dúvidas, incerteza e desconhecido.

Mas não só.

Temos muito mais,

Temo-nos uns aos outros.

Temos a tecnologia, que nos aproxima e nos faz parecer perto.

E podemos ver-nos sem sair de casa.

Temos as notícias.

Temos o comando.

Temos a liberdade individual do pensamento, que será sempre o último reduto de cada um de nós.

Há mais de 30 anos, li um livro, notável.

«Le silence de la mer».

Escrito por um francês durante a ocupação nazi.

Relata a história de um oficial alemão que fica a viver numa casa, em França.

Os donos da casa, franceses, resolveram resistir com o silêncio.

Durante o período em que «partilhou» a casa com os franceses, estes nunca lhe dirigiram a palavra.

Nem uma.

Nunca.

O oficial fazia monólogos pela casa, na esperança de provocar a quebra do silêncio.

Nunca o conseguiu.

Pior que uma quarentena ou um isolamento, seria o silêncio.

Estamos fechados.

Mas temos a palavra.

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