Coronavírus

Câmara da Maia realoja num hotel utentes do lar onde morreram duas pessoas

© Rafael Marchante / Reuters

Autarca critica a "indecisão das autoridades competentes", explicando que o município "decidiu assumir a responsabilidade de encontrar uma solução".

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A Câmara da Maia vai realojar temporariamente num hotel os utentes da residência sénior O Amanhã da Criança, onde ocorreram duas mortes devido à Covid-19, indicou esta sexta-feira aquela autarquia, garantindo que todos os utentes serão testados antes da transferência.

Em comunicado, a Câmara Municipal da Maia anunciou que "os idosos do lar Amanhã da Criança serão transferidos hoje, numa operação coordenada pelo Serviço Municipal de Proteção Civil".

"Todos os utentes que ainda o não tenham sido serão testados à Covid-19 antes da ida para o hotel", é frisado na nota enviada à agência Lusa.

Em causa está um lar que, de acordo com informações veiculadas quinta-feira à Lusa pelo presidente da instituição, registou até agora duas mortes, uma no domingo e outra na quarta-feira, devido à pandemia Covid-19.

No estabelecimento permaneciam à data 10 idosos e 10 funcionários infetados, três idosos tinham sido transportadas a hospitais do Porto e 50 utentes e trabalhadores aguardavam a realização de testes de despistagem do novo coronavírus.

Na quinta-feira à noite, o presidente da instituição, José Manuel Correia, apontou à Lusa que estava a preparar um plano de evacuação, que será agora posto em prática com a ajuda da Câmara da Maia.

Manifestando-se "desesperado", José Manuel Correia contou que ponderou uma "medida radical" para que as autoridades de saúde o "acudissem".

"Já liguei para todos os lados, empurram com a barriga desta para aquela entidade. Só me falta colocar os idosos lá fora e pedir que resolvam. O que pedimos para que nos deixem higienizar o lar por completo para depois todos regressarem em segurança para cá", disse José Manuel Correia.

Já o presidente da autarquia, António Silva Tiago, citado na nota camarária, afirma hoje que "perante a indecisão das autoridades competentes, o município decidiu assumir a responsabilidade de encontrar uma solução".

"Lamento profundamente a duplicidade de critérios, já que em Vila Nova de Famalicão e Vila Real [referindo-se a outros casos de lares que têm registado alo risco de contágio Covid-19] toda essa operação foi assumida pela administração central. A indecisão atrasou a operação que a Câmara Municipal vai agora realizar", refere o autarca.

De acordo com a Câmara da Maia, distrito do Porto, na unidade hoteleira os utentes serão mantidos isolados em quartos individuais e acompanhados por pessoal e corpo clínico da instituição, sendo que todos aqueles que tenham testado positivo, ou que estão a aguardar resultado, ficarão num piso inferior da unidade hoteleira.

"Os restantes serão realojados em andares superiores, com um piso de segurança entre eles sem ocupação. Entretanto, o lar será desinfetado e os idosos regressarão à instituição quando o corpo clínico do O Amanhã da Criança determinar que estão reunidas as condições", descreve a autarquia, acrescentando que assegurará "toda a operação de transporte e alojamento dos idosos".

"Esta medida de realojamento será sempre aplicada pelo município a utentes inscritos nas estruturas residenciais para pessoas idosas da rede solidária da Maia, sem retaguarda familiar devidamente comprovada, e quando as instituições estejam sinalizadas pelas autoridades de saúde como contágio de alto risco para a Covid-19", acrescenta a autarquia.

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