Coronavírus

Eurogrupo suspende trabalhos sem acordo na resposta à pandemia

Francisco Seco

O encontro dos ministros das Finanças da zona euro será retomado amanhã.

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O Eurogrupo suspendeu os trabalhos, que só serão retomados amanhã Os ministros das Finanças da zona euro estiveram reunidos por videoconferência desde ontem. Depois de 16 horas de negociações não houve acordo na resposta à crise provocada pela Covid-19. A conferência de imprensa marcada para esta manhã foi cancelada.

A reunião dos ministros das finanças da zona euro prolongou-se durante a madrugada por haver divergência de opiniões sobre o financiamento para os estados membros.

"Após 16 horas de discussões, chegámos perto de um acordo, mas ainda não estamos lá", pelo que "suspendi o Eurogrupo e [a discussão] continua amanhã, quinta-feira", informa através da rede social Twitter o presidente do fórum de ministros das Finanças da zona euro, Mário Centeno.

O responsável garante que, ainda assim, o seu objetivo para a resposta europeia à crise "permanece" o mesmo, visando criar a consenso para "uma forte rede de segurança da União Europeia contra as consequências da Covid-19, protegendo trabalhadores, empresas e países, e compromissos com um plano significativo de recuperação".

Também através daquela rede social, o porta-voz do Eurogrupo, Luís Rego, informou que, devido à suspensão dos trabalhos, a conferência de imprensa marcada para esta manhã foi adiada.

"Mais detalhes serão anunciados posteriormente", adianta.

A videoconferência do Eurogrupo, conduzida desde Lisboa por Mário Centeno, começou na terça-feira já com um atraso de uma hora, às 15:00 de Lisboa, tendo sido interrompida cerca das 18:00 para uma pausa de uma hora.


Porém, essa interrupção -- durante a qual são feitos os tradicionais contactos bilaterais para tentar alcançar consensos -- foi sendo prolongada até às 22:00 de Lisboa, até ao anúncio de que os trabalhos iriam entrar noite dentro.


Antes da reunião, Centeno disse esperar que os ministros das Finanças europeus cheguem a acordo sobre um pacote financeiro de emergência robusto para trabalhadores, empresas e países, e que se comprometam claramente com um plano de recuperação de grande envergadura.


Contudo, o compromisso a que os ministros das Finanças estão 'obrigados' a chegar está a revelar-se difícil de "fechar", pois o ponto mais controverso da resposta, o financiamento para os Estados-membros, que Centeno defende que deve ser garantido através de linhas de crédito do Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE), por ser a opção mais prática e "consensual", continua a dividir os Estados-membros.


Assim, de um lado, vários países, encabeçados por Itália, defendem antes a emissão conjunta de dívida -- os chamados "eurobonds" ou "coronabonds" - e o primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, já reafirmou a sua oposição à solução em forma de empréstimos do fundo de resgate da zona euro. Do outro, um conjunto de países, com Holanda à cabeça, rejeita liminarmente a mutualização da dívida, e, mesmo em relação às linhas de crédito do MEE, quer impor condições.


Mais pacíficas serão as duas outras vertentes do pacote de emergência que o presidente do Eurogrupo espera 'fechar' nesta reunião, para apresentar aos chefes de Estado e de Governo da UE: o programa de 100 mil milhões de euros proposto pela Comissão Europeia para financiar regimes de proteção de emprego e uma garantia de 200 mil milhões de euros do Banco Europeu de Investimento para apoiar as empresas em dificuldades, especialmente as pequenas e médias empresas.


Em pouco mais de um mês, esta é a quarta reunião por videoconferência dos ministros das Finanças europeus para tentar acordar uma resposta comum à crise do novo coronavírus, sendo que desta feita é-lhes 'exigido' um compromisso, para ser apresentado aos líderes europeus.

No último Conselho Europeu por videoconferência, realizado em 26 de março, os chefes de Estado e de Governo da União Europeia, após uma longa e tensa discussão, mandataram o Eurogrupo para apresentar, no prazo de duas semanas, propostas concretas sobre como enfrentar as consequências socioeconómicas da pandemia, que "tenham em conta a natureza sem precedentes do choque de Covid-19", que afeta as economias de todos os Estados-membros.

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