Coronavírus

Portugal mantém posição "cautelosa" de não recomendar uso da hidroxicloroquina

MIGUEL A. LOPES

O anúncio foi feito pela diretora-geral da Saúde, Graça Freitas.

Especial Coronavírus

A diretora-geral da Saúde disse esta quinta-feira que Portugal vai manter uma posição "cautelosa" e não vai recomendar o uso da hidroxicloroquina no tratamento da covid-19, isto depois de a Organização Mundial da Saúde (OMS) ter anunciado que retomou os testes.

"A Direção-Geral da Saúde [DGS] e o Infarmed estão a acompanhar a situação e por enquanto vamos ser cautelosos e não vamos fazer a recomendação da utilização em Portugal. Vamos acompanhar os ensaios e o que se passa nos outros países", disse Graça Freitas.

A diretora-geral da Saúde disse que Portugal vai continuar a aderir aos ensaios em que já fazia parte da investigação, mas manterá, reiterou, "uma posição de precaução".

"Mas isto é uma situação mutável e que evolui todos os dias. A DGS e o Infarmed acompanham todos os dias o que se está a passar em todo o mundo para poder adequar a utilização deste medicamento às suas recomendações e para que o seu uso seja seguro", disse Graça Freitas que falava na conferência de imprensa diária de balanço sobre a pandemia de covid-19 em Portugal.

A OMS anunciou na quarta-feira que vão ser retomados os ensaios clínicos com hidroxicloroquina em doentes com covid-19, suspensos há mais de uma semana por preocupações com a segurança daquele medicamento.

O diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, anunciou que o painel que analisa a segurança de medicamentos concluiu que "não há razão para alterar o protocolo dos ensaios clínicos solidários e recomendou que continuem em todas as vertentes".

Assim, os ensaios clínicos com a hidroxicloroquina vão continuar no grupo de mais de 3.500 pacientes voluntários de 35 países.

Ghebreyesus afirmou que a OMS vai continuar a "controlar a segurança" do uso do medicamento em doentes com covid-19, bem com de outros usados nos ensaios clínicos.

A autorização para retomar o uso de hidroxicloroquina, um medicamento criado para combater a malária, vai ser comunicada aos investigadores responsáveis pelos ensaios clínicos.

Em 25 de maio, o Comité Executivo tinha decidido suspender o uso de hidroxicloroquina depois de na revista científica The Lancet ter surgindo um estudo em que se observou mortalidade acrescida em doentes tratados com aquele medicamento.

A cientista-chefe da OMS, Soumya Swaminathan, frisou que "neste momento, não há provas de que qualquer medicamento reduza a mortalidade em pacientes com covid-19" e por isso "é uma prioridade urgente continuar os ensaios clínicos randomizados para obter essas provas tão rapidamente quanto possível".

"A Organização Mundial de Saúde encoraja testes randomizados com diferentes medicamentos que possam reduzir a mortalidade e a gravidade da covid-19", acrescentou.

Estudos baseados apenas na observação de pacientes, como o da Lancet, "têm limitações" e podem ser influenciados por outros fatores, como as condições em que os doentes são mantidos, para além dos medicamentos que são utilizados.

A revista médica The Lancet distanciou-se entretanto do estudo que publicou sobre a hidroxicloroquina, reconhecendo num aviso formal que "questões importantes" pairavam sobre este trabalho, que está a ser alvo de uma auditoria lançada pelos autores.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 385 mil mortos e infetou mais de 6,5 milhões de pessoas em 196 países e territórios.

Mais de 2,8 milhões de doentes foram considerados curados.

Em Portugal, morreram 1.455 pessoas das 33.592 confirmadas como infetadas, e há 20.323 casos recuperados, de acordo com a Direção-Geral da Saúde.

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