Coronavírus

Autarca brasileiro anuncia reabertura do comércio "morra quem morrer"

Lucas Landau

O Brasil é o segundo país do mundo mais afetado pela pandemia de Covid-19.

Especial Coronavírus

O prefeito de um município no nordeste brasileiro, que tem ocupada 100% da capacidade dos seus hospitais para atendimento de pacientes com covid-19, anunciou que abrirá na próxima quinta-feira o comércio "morra quem morrer".

As declarações do autarca aparecem num vídeo difundido hoje pelas redes sociais de habitantes de Itabuna, município do estado da Bahia, e que ascendeu às tendências da rede social Twitter devido à polémica em torno das palavras usadas pelo prefeito.

"Então, na dúvida, com os nossos a morrer por causa de um cama de hospital em Itabuna, eu vou transferir essa abertura (de comércio). (...) Mandei já fazer um decreto para que no dia 09 (de julho) abra, morra quem morrer", afirmou o prefeito Fernando Gomes, durante uma entrevista na quarta-feira.

A cidade permanece em confinamento social desde março e planeava iniciar a reabertura das atividades comerciais hoje. Contudo, decidiu adiar a data devido à falta de Unidades de Terapia Intensiva (UTI) para pacientes diagnosticados com covid-19.

Itabuna, um município de 200.000 habitantes e que possui apenas 30 camas para atendimento de pacientes com o novo coronavírus, já soma 2.637 casos confirmados e 58 óbitos pela doença.

Após a controvérsia e as críticas que as declarações do prefeito Gomes causaram, o município divulgou um comunicado assinalando que as palavras do autarca foram "mal interpretadas".

O nordeste é uma das regiões mais pobres do Brasil, além de uma das mais afetadas pela pandemia provocada pelo novo coronavírus, com quase 20.000 mortes e 500.000 infetados, praticamente um terço do total do país.

O Brasil, segundo país do mundo com mais mortos e infetados, totaliza 60.632 vítimas mortais e 1.448.753 pessoas diagnosticadas com covid-19 desde o início da pandemia.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de 516 mil mortos e infetou mais de 10,71 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.