Coronavírus

Rio considera que reuniões do Infarmed sobre Covid-19 "começam a ter pouca utilidade”

RUI MANUEL FARINHA

Especial Coronavírus

O presidente do PSD considera que as “reuniões do Infarmed começam a ter pouca utilidade”, e defende que estes encontros com especialistas devem apresentar uma “fotografia muito objetiva e curta” da evolução da pandemia, e dar “conselhos técnicos”.

Rui Rio assumiu esta posição em entrevista no programa Gente que Conta, do Porto Canal, que será transmitida no sábado à noite.

“As primeiras reuniões, particularmente as primeiras duas reuniões no Infarmed, foram reuniões relevantes na exata medida em que nós todos sabíamos muito pouco de epidemias, de pandemias, disto e aquilo. Foi a explicação da situação, e foram extraordinariamente úteis para quem a elas assistiu”, começou por dizer.

Mas o líder social-democrata considerou que, depois, “começou a ser um pouco mais do mesmo” e concretizou: “há momentos em que são uns gráficos atrás dos outros, com tanta velocidade, que as pessoas que estão a assistir não têm sequer tempo para absorver mesmo aquilo que o gráfico está a mostrar” e “muitas vezes [a apresentação técnica] não tem o encadeamento mais lógico”.

“Eu devo confessar que as últimas reuniões do Infarmed começam a ter pouca utilidade”, salientou Rio, considerando que “na segunda parte, quando se dá a voz às pessoas para fazerem perguntas, então aí a utilidade ainda é menor”.

Na ótica do presidente do PSD, estas reuniões sobre a evolução da pandemia de covid-19 em Portugal – e que juntam epidemiologistas, o Presidente da República, o primeiro-ministro, o presidente da Assembleia da República, os líder dos partidos políticos com representação parlamentar, os líderes das confederações patronais, os líderes das estruturas sindicais e os conselheiros de Estado – deviam “dar uma fotografia muito objetiva e curta, não é muita coisa, e a seguir os conselhos técnicos para isso”.

“E aí são de grande utilidade”, insiste.

A próxima reunião do Infarmed (décima) vai realizar-se na quarta-feira, em Lisboa.

Na entrevista, o jornalista Paulo Baldaia questionou também Rui Rio sobre a atuação da ministra da Saúde e sobre as palavras do seu vice-presidente David Justino, que na quarta-feira disse que Marta Temido não tem condições para continuar no cargo.

No programa da rádio TSF "Almoços Grátis", David Justino considerou que "há muito tempo que a ministra da Saúde não reúne as condições para continuar no cargo", justificando com a "desorientação" e falta de sintonia entre os vários responsáveis da área que tutela.

“Eu estou de acordo quando o professor David Justino diz que a ministra da Saúde não tem condições, a forma como o diz é a forma como eu entendo que devemos dizer quando assim achamos, e não ‘rua, deve ser demitida, não tem lugar’”, argumentou o presidente social-democrata.

“Houve um pequeno choque no Infarmed, mas não foi da dimensão [do que se passou com o ex-ministro das Finanças Mário Centeno], portanto, o primeiro-ministro terá de avaliar se efetivamente acha que deve contar ou não deve contar com a ministra”, acrescentou.

Questionado se se fosse primeiro-ministro, Marta Temido continuava no cargo, Rio respondeu que “precisava de obter mais informações relativamente àquilo que é a sintonia entre ela e os serviços para tomar essa decisão”.

“Que não tem funcionado bem, não tem, que a pandemia está à beira de um pandemónio, é verdade, agora dizer assim, da mesma forma tão certa como eu disse quando foi do professor Mário Centeno, não consigo dizer, mas que tinha de ser avaliado, tinha”, realçou.

Questionado também sobre a evolução da pandemia na região de Lisboa, Rio considera que “o Governo atrasou-se na reação que deveria ter na Área Metropolitana de Lisboa, mas por outro lado também as pessoas aqui deixaram de ter o comportamento que tiveram no início”.

“A responsabilidade é do Governo, ponto”, disse, identificando como “atenuantes” a “capacidade técnica demonstrada pela Direção-geral da Saúde, [que] não foi a melhor ao longo de todo este processo”, e um “menor rigor no cumprimento das regras”.

Mais 11 mortes e 374 novos casos de Covid-19 em Portugal

A Direção-Geral da Saúde (DGS) anunciou esta sexta-feira a existência de 1.598 mortes e 43.156 casos de Covid-19 em Portugal desde o início da pandemia.

O número de óbitos subiu, de quinta para sexta-feira, de 1.587 para 1.598, mais 11 em relação a ontem, enquanto o número de infetados aumentou de 42.782 para 43.156, mais 374.

Há 495 doentes internados, menos 15 em relação a ontem. 72 encontram-se em Unidades de Cuidados Intensivos, menos cinco face a quinta-feira.

O número de casos recuperados subiu de 28.097 para 28.424, mais 327.

Perto de 8 mil casos ativos de Covid-19 na região de Lisboa e Vale do Tejo

Covid-19 já infetou perto de 11 milhões de pessoas no mundo

A pandemia de covid-19 matou pelo menos 522.246 pessoas e infetou mais de10.922.300 pessoas em 196 países e territórios desde o início da epidemia, em finais de dezembro passado, na cidade chinesa de Wuhan segundo um balanço da agência AFP, às 19:00 TMG desta sexta-feira, baseado em dados oficiais.

Pelo menos 5.619.700 agora são considerados curados.

Desde a contagem na quinta-feira às 19:00 TMG, 4.553 novas mortes e 171.029 novos casos ocorreram em todo o mundo.

Os países com mais óbitos nas últimas 24 horas são o Brasil, com 1.252 mortes, o México (679) e a Índia (379).

Os Estados Unidos, que tiveram a sua primeira morte ligada ao coronavírus no início de fevereiro, são o país mais afetado em termos de número de mortes e casos, com 128.740 mortes para 2.739.879 casos. Pelo menos 781.970 pessoas foram declaradas curadas.

Depois dos Estados Unidos, os países mais afetados são o Brasil, com 61.884 mortes e 1.496.858 casos, o Reino Unido, com 44.131 mortes (284.276 casos), a Itália, com 34.833 mortes (241.184 casos) e a França, com 29.893 mortos (203.367 casos).

Entre os países mais atingidos, a Bélgica é o que apresenta maior número de mortos face à sua população, com 84 mortes por cada 100.000 habitantes, seguida pelo Reino Unido (65), Espanha (61), Itália (58) e Suécia (54).

A China (sem os territórios de Hong Kong e Macau) contabilizou oficialmente um total de 83.542 casos (5 novos entre quinta-feira e hoje), incluindo 4.634 mortes (zero novas) e 78.499 curas.

A Europa totalizava às 19:00 TMG de hoje, 198.615 mortes e 2.695.472 casos, os Estados Unidos e Canadá 137.450 (2.844.905 casos), América Latina e Caraíbas 121.888 mortes (2.740.996 casos), a Ásia 36.384 mortes (1.397.730 casos), o Médio Oriente 17.129 mortes (798.008 casos), África 10.647 mortes (435.608 casos) e a Oceânia 133 mortes (9.585 casos).

Links úteis

Mapa com os casos a nível global