Coronavírus

OMS critica opção política por "nacionalismo de vacinas"

Carl Recine / Reuters

Todos os países terão benefícios económicos e de saúde se o resto do mundo recuperar da pandemia.

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A Organização Mundial de Saúde (OMS) criticou hoje o "nacionalismo de vacinas" para a covid-19, afirmando que qualquer país terá benefícios económicos e de saúde se o resto do mundo recuperar da pandemia.

"O nacionalismo em relação às vacinas não presta. Não nos ajudará. Quando dizemos que uma vacina deve ser um bem global de saúde pública, não se trata de partilhar por partilhar. Para o mundo poder recuperar mais depressa, tem de recuperar em conjunto", afirmou o diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, numa conferência de imprensa virtual integrada no Fórum de Segurança de Aspen, um encontro global organizado a partir dos Estados Unidos.

Os países que cheguem primeiro a uma vacina e que se comprometam a contribuir para que seja distribuída equitativamente por todo o mundo "não estão a fazer caridade aos outros, estão a fazê-lo por si próprios, porque quando o resto do mundo recuperar e as economias reabrirem, também beneficiam", declarou.

Mais de uma centena de projetos de vacinas

O diretor executivo do Programa de Emergências Sanitárias da OMS, Michael Ryan, afirmou que de 165 projetos de vacinas, 26 estão em testes clínicos e seis entraram na chamada fase três, em que são testadas em pessoas saudáveis para ver se são capazes de as proteger contra o novo coronavírus durante grandes períodos de tempo.

Nenhuma delas -- três na China, uma na universidade britânica de Oxford, e duas de empresas farmacêuticas Estados Unidos, Moderna e Pfizer -- é garantia, por si, só de sucesso na eliminação da covid-19 como ameaça de saúde pública, salientou, referindo que poderão ser precisas várias para o conseguir.

Michael Ryan indicou que a resposta da comunidade científica no desenvolvimento de vacinas foi "incrível para o curto espaço de alguns meses", frisando que é preciso garantir que qualquer uma das candidatas será "segura e eficaz".

"Precisamos de continuar a ser cautelosos à medida que aumentamos o número de pessoas vacinadas, porque os efeitos secundários raros só se manifestam quando se vacinam muitas pessoas", salientou.

Assim que houver "sinais de segurança" suficientes, a produção de vacinas poderá começar, garantindo-se que há vacinas suficientes para as necessidades de todo o mundo.

"Para o mundo recuperar mais depressa, tem que recuperar em conjunto", reiterou Tedros Ghebreyesus.

Depois de a Europa ter sucedido à China como centro da pandemia em fevereiro, o continente americano é agora o que tem mais casos confirmados e mais mortes.

As vacinas mais promissoras no combate à Covid-19

Laboratórios por todo o mundo estão numa corrida contra o tempo para desenvolver uma vacina contra o novo coronavírus. Há dezenas de equipas a testar várias candidatas a vacina, algumas estão mais avançadas e são promissoras, mas os cientistas avisam que nenhuma deverá estar pronta antes do fim deste ano.

Segundo o London School of Hygiene & Tropical Medicine, (que tem um gráfico que mostra o progresso das experiências) há 228 projetos e 4 estão na fase de ensaios clínicos - que consiste na inoculação da vacina em milhares de voluntários a fim de determinar se impede de facto a infeção.

Os resultados mais encorajadores vêm da Pfizer e da BioNTech, da Moderna, do projeto entre a Universidade de Oxford e a AstraZeneca e de vários projetos chineses, nomeadamente da CanSinoBIO que já obteve autorização para administrar a vacina em militares chineses.

Covid-19 já matou mais de 708 mil pessoas e infetou mais de 18,8 milhões

A pandemia de covid-19 já matou pelo menos 708.236 pessoas e infetou mais de 18.843.580 em todo o mundo desde que o vírus foi detetado na China, em dezembro, refere o último balanço feito pela Agência France-Presse (AFP) com base em dados oficiais.

Países mais atingidos

Os países que mais vítimas mortais contabilizaram nos seus últimos relatórios foram o Brasil, com 1.437 novas mortes, os Estados Unidos (1.262) e a Índia (904).

Entre os países mais atingidos, a Bélgica é a que apresenta o maior número de mortes em relação à sua população, com 85 mortes por cada 100.000 habitantes, seguida do Reino Unido (68), de Espanha (61), do Peru (61) e da Itália (58).

  • Estados Unidos com 158.268 mortes e 4.824.175 casos
  • Brasil, com 97.256 mortos e 2.859.073 casos
  • México, com 49.498 mortos (456.100 casos)
  • Reino Unido, com 46.364 mortos (307.184 casos)
  • Índia, com 40.699 óbitos e 1.964.536 casos de infeção
  • China (excluindo os territórios de Hong Kong e Macau) contabiliza oficialmente um total de 84.528 casos (37 novos nas últimas 24 horas), incluindo 4.634 mortes e 79.057 recuperados.

A Europa totalizava, às 12:00 de hoje, 212.023 mortes e 3.279.050 casos, enquanto a América Latina e as Caraíbas registavam 209.934 óbitos (5.213.592 casos).

Os Estados Unidos e o Canadá contabilizavam 167.264 mortes (4.942.213 casos) e na Ásia somavam-se 68.070 óbitos (3.184.253 casos).

O Médio Oriente contabilizava 29.022 mortes (1.206.747 casos), África 21.636 óbitos (996.009 casos) e Oceânia 287 mortes (21.725 casos).

Portugal com 1.740 mortes e 51.848 casos de Covid-19

A Direção-Geral da Saúde (DGS) anunciou esta quinta-feira a existência de 1.743 mortes e 52.061 casos de Covid-19 em Portugal, desde o início da pandemia.

O número de óbitos subiu de 1.740 para 1.743, mais 3 do que na quarta-feira. Já o número de infetados aumentou de 51.848 para 52.061, mais 213.

Há 369 doentes internados, 42 encontram-se em Unidades de Cuidados Intensivos.

O número de casos recuperados subiu de 37.565 para 37.840, mais 275.

Links úteis

Mapa com os casos a nível global

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